Proteína pode ser útil para o tratamento do rabdomiossarcoma

O rabdomiossarcoma é um cancro raro do músculo esquelético que afeta principalmente pacientes pediátricos.

Após o diagnóstico, cerca de 3 dos 4 pacientes ficam curados com o tratamento padrão, mas as taxas de sobrevivência caem para 17% se ocorrer uma recidiva ou para 30% se o cancro metastatizar.

“O rabdomiossarcoma tem uma das piores estatísticas de sobrevivência para qualquer tumor pediátrico sólido. Por isso, existe uma necessidade urgente de melhorar as terapias para essas crianças”, disse Justina McEvoy, investigadora Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

Por esse motivo, os cientistas estão a trabalhar para identificar fármacos de “precisão” que possam atacar diretamente os tumores.

A avaliação mais abrangente dos alvos de fármacos para o rabdiossarcoma foi recentemente publicada na revista Cancer Cell.

“Um alvo é uma proteína que instrui a célula a ser cancerígena. Se pudéssemos ‘silenciar’ essa proteína, poderíamos reverter ou parar esse processo”, disse Justina que, no entanto, alerta para o facto de que os “rabdomiossarcomas têm muito poucas mutações drogáveis, o que dificulta o desenvolvimento dos tratamentos.”

Para encontrar alvos de fármacos, os cientistas concentram-se em “vias de sinalização” genéticas, que é um sistema para transmitir instruções de uma extremidade à outra da célula, direcionando o crescimento e a divisão.

Justina e a sua equipa analisaram um grande banco de dados genéticos e de proteínas para o rabdomiossarcoma de forma a identificarem vias que contêm alvos potenciais de fármacos. ´

Os investigadores concentraram-se num gene chamado WEE1, que codifica uma proteína quinase que regula a divisão celular e é particularmente ativa no rabdomiossarcoma.

Em testes laboratoriais, a equipa encontrou um medicamento em particular, o adavosertib, que foi especialmente potente contra tumores que expressam o WEE1, particularmente quando combinados com o medicamento de quimioterapia irinotecan.

“Quando combinámos o irinotecan, a terapia atual para o rabdiossarcoma, com o adavosertib, a maioria dos tumores teve uma resposta completa ou parcial”, relatou Justina.

“Foi bastante eficaz em comparação com o tratamento padrão sozinho”.

Contudo, antes do adavosertib poder ser usado em pacientes com a doença, os cientistas terão de recolher mais provas sobre a sua eficácia, um trabalho que está atualmente a ser feito, com a ajuda do St. Jude Children’s Research Hospital.

Este trabalho também oferece um ponto de partida para muitos caminhos adicionais na pesquisa sobre o rabdiossarcoma. Justina está a usar os mesmos conjuntos de dados para se ramificar no seu próprio nicho de pesquisa, concentrando-se em moléculas chamadas “RNAs não-codificantes”.

“Os RNAs não-codificantes estão a emergir como reguladores-chave na formação de tumores. O trabalho é desafiante, pois não se conhece nada sobre o seu papel no rabdomiossarcoma, mas também é emocionante porque pode vir abrir uma nova janela de oportunidade”, explicou a investigadora.

“Agora estamos a tentar entender o porquê de outros genes e proteínas poderem ser regulados por esses RNAs não-codificantes”.

Apesar das dificuldades, a investigadora está confiante no seu trabalho.

“Quando vejo as peças a unirem-se, vejo o potencial para o avanço terapêutico e isso é realmente gratificante”, disse.

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