“Gostamos de acreditar que o nosso filho ainda vai ajudar a salvar muitas crianças”

É difícil imaginar que, para um pai ou uma mãe, existam palavras mais assustadoras do que “O seu filho tem cancro”. 

Infelizmente, o casal Monique e Baden sabe bem o que é ouvir estas palavras. Com apenas 3 anos, o seu filho, Luca, foi diagnosticado com cancro. 

“No meio de tanto medo e de tanto pânico, a nossa única escolha era a de confiar nos médicos e naquilo que a ciência podia fazer pelo nosso filho”. 

Na altura, a única coisa que os pais sabiam era que Luca tinha uma massa no cérebro e que ia necessitar de cirurgia. Monique e Baden não sabiam se Luca sobreviveria ou se acordaria com sequelas – e ainda estavam no início da sua jornada contra o cancro. 

“Os resultados mostraram que se tratava de um glioblastoma de alto grau – um dos tipos mais raros e perigosos de tumor cerebral. Ficámos apavorados, mas os médicos tentaram acalmar-nos, e diziam-nos que estavam confiantes de que haviam removido tudo.”

O que se seguiu foram 10 meses de vários ciclos de quimioterapia, complementados com 33 sessões de radioterapia.

Esta era a vida de Luca há 5 anos atrás – hoje, Luca é um menino de 8 anos, saudável, que pode vir a ajudar muitas crianças diagnosticadas com glioblastoma; isto porque os seus pais concordaram em doar amostras de tecido do tumor de Luca para investigação. 

“Até onde sabemos, essas células estão a ser usadas para testar novos possíveis tratamentos. Por isso, gostamos de acreditar que o nosso filho ainda vai ajudar a salvar muitas crianças”. 

As amostras foram doadas ao Hudson Institute, nos Estados Unidos, um centro global para pesquisa de cancro pediátrico, que dirige o Childhood Cancer Model Atlas (CCMA) – um banco de tecidos onde amostras de cancros reais podem ser armazenadas e reproduzidas. 

“Este banco é uma mina de ouro para os investigadores. Os cancros infantis representam apenas cerca 1% de todos os cancros diagnosticados, então a indústria farmacêutica tende a não investir na descoberta de novos tratamentos”, explica Ron Firestein, diretor do Childhood Cancer Model Atlas. 

“Ter amostras de vários tipos de cancro infantil permite-nos estudar a doença e entender de que forma ela se desenvolve, o que a faz crescer e, finalmente, quais os tratamentos que podem ser usados para combatê-la e, com sorte, curá-la”.

“O CCMA é o maior bio-banco vivo do mundo de amostras de tecido tumoral pediátrico, e os dados dos testes que realizamos estão disponíveis gratuitamente para todos os oncologistas pediátricos e cientistas de todo o mundo. Isso significa que todas as crianças como o Luca, independentemente do seu próprio resultado, podem ajudar a salvar vidas através das amostras de tecido tumoral que doaram”.

Fonte: Mirage

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