Gordura alimenta células da leucemia

Pesquisadores norte-americanos acreditam que a obesidade prejudica substancialmente a ação da quimioterapia de primeira linha para matar as células da leucemia (tipo de tumor no sangue). 
Um estudo do Hospital Infantil de Los Angeles e do Instituto de Pesquisa Saban conclui que a obesidade pode não só causar cancro, mas também diminuir significativamente a probabilidade da criança lutar contra a doença, segundo um artigo publicado na Cancer Research.
“Como a obesidade infantil se tornou num desafio global, estes resultados são importantes na nossa compreensão sobre a forma de vencer o cancro em crianças”, referem os investigadores.
Os pesquisadores do Hospital Infantil foram os primeiros a mostrar que o efeito impulsionador da obesidade sobre o cancro também pode estar presente nos mais pequenos, pois crianças obesas diagnosticadas com leucemia linfoblástica aguda de alto risco têm uma probabilidade 50% maior de terem recidiva da doença, em comparação com crianças que não são obesas. 
Este novo estudo mostra que a obesidade pode prejudicar a atividade da L-asparaginase (ASNase), uma escolha de primeira linha de fármacos quimioterápicos para o tratamento desta doença. 
A ASNase atua quebrando os aminoácidos asparagina e glutamina – blocos de construção que todas as células precisam para sobreviver e proliferar – e os pesquisadores descobriram que as células de gordura produzem estes aminoácidos, diminuindo assim a capacidade da ASNase para erradicar todas as células.
O líder do estudo recorda que o aumento da incidência e pior prognóstico de indivíduos obesos com cancro traduz-se numa subida superior a 50% no risco de morrer de cancro, em comparação com doentes magros. 
O especialista lembra que, uma vez que a leucemia é o tipo de cancro mais comum em crianças e que a incidência de obesidade infantil tem alcançado proporções epidémicas, “há uma necessidade urgente de intervir e evitar um potencial aumento do número de crianças que morrem de leucemia”.
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