Fungos da Antártida podem ser úteis no tratamento da leucemia

Investigadores do Instituto Indiano de Tecnologia de Hyderabad, na India, conseguiram isolar uma linhagem de fungos, encontrada na região da Antártida, que pode levar ao desenvolvimento de um novo tratamento mais barato e com menos efeitos secundários para um dos cancros infantis mais comuns: a leucemia linfoblástica aguda.

Os fungos, denominados psicrófilos, foram filtrados e isolados do solo e dos musgos em Schirmacher Hills, Dronning Maud Land, na Antártida.

Os cientistas verificaram que estes fungos tinham L-Asparaginase, um agente quimioterápico baseado em enzimas que é usado para tratar a leucemia linfoblástica aguda.

Os psicrófilos são organismos capazes de crescer e se reproduzir a baixas temperaturas, entre -20 e 10 graus Celsius.

Atualmente, a L-Asparaginase utilizada para quimioterapia é derivada de bactérias comummente encontradas, como a Escherichia coli e a Erwinia chrysanthemi. No entanto, a L-Asparaginase está associada a duas outras enzimas, a glutaminase e a urease, que podem causar efeitos secundários como pancreatite, anormalidades na hemostasia, disfunção do sistema nervoso central e reações imunológicas.

“São necessárias extensas etapas de purificação antes que a L-Asparaginase derivada de E. coli e E. Chrysanthemi seja usada como um fármaco para tratar a leucemia linfoblástica aguda, e isso aumenta, e muito, o custo do fármaco”, explicaram os cientistas.

No entanto, o fungo encontrado na Antártida contém L-Asparaginase livre de glutaminase e urease.

No estudo, publicado na revista Scientific Reports, a equipa isolou 55 amostras de fungos, dos quais 30 tinham L-Asparaginase em estado puro. A atividade enzimática máxima foi observada numa linhagem de fungos chamada Trichosporon asahii e foi comparável à de enzimas purificadas obtidas de fontes bacterianas.

Segundo os cientistas, a ausência de glutaminase e urease evitaria os graves efeitos secundários observados atualmente com o uso de L-Asparaginase derivada de bactérias.

“Estas espécies de fungos têm a capacidade de imitar as propriedades das células humanas, já que ambas são eucarióticas por natureza, o que facilita o seu uso no tratamento da leucemia linfoblástica aguda”, disseram os investigadores.

Fonte: Times Now News

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