Fertilização in vitro pode aumentar risco de cancro infantil

De acordo com uma nova investigação, bebés concebidos por fertilização in vitro que tenham nascido com defeitos congénitos têm uma maior probabilidade de desenvolver cancro infantil, em comparação com bebés concebidos de forma natural.

As crianças nascidas com um defeito congénito após fertilização in vitro apresentaram um risco quase 7 vezes maior de desenvolver cancro do que crianças concebidas por fertilização in vitro que nasceram sem qualquer problema, antes de completarem 6 anos.

Já crianças nascidas com defeitos congénitos concebidas naturalmente mostraram ter até 3 vezes mais probabilidade de desenvolver cancro.

A investigação, publicada na revista JAMA Network Open, compilou dados de crianças nascidas em 4 localidades dos Estados Unidos da América, entre 2004 e 2016, tendo em conta fatores como defeitos congénitos, diagnóstico de cancro e modo de concepção.

Do conjunto de dados analisados, 53 mil crianças foram concebidas por fertilização in vitro; ainda assim, mais de 1 milhão de crianças incluídas no estudo nasceram sem que os seus progenitores tivessem recorrido a tratamentos de fertilidade.

“Embora a razão por trás do aumento do risco não seja totalmente conhecida, descobertas de estudos anteriores já haviam mostrado que tratamentos de fertilização in vitro aumentavam o risco de essas crianças desenvolverem cancro”.

As crianças foram classificadas como nascidas por fertilização in vitro ou por concepção natural e foram agrupadas de acordo com o número de defeitos que apresentavam ao nascer.

Cerca de 1,8% das crianças que foram concebidas naturalmente nasceram com um defeito, em comparação com cerca de 2,4% das crianças que pertenciam ao grupo de fertilização in vitro.

Em ambos os grupos, a probabilidade de desenvolver cancro antes dos 6 anos era maior nas crianças nascidas com defeitos congénitos; ainda assim, houve um aumento no risco em crianças com defeitos congénitos nascidas após a fertilização in vitro.

A equipa sugere que modificações epigenéticas – mudanças na estrutura química do ADN que não altera a sequência dos próprios genes – podem ocorrer quando um embrião é cultivado em laboratório, contribuindo para os defeitos congénitos e risco de cancro em crianças concebidas por fertilização in vitro.

A idade dos pais também pareceu ter influência: os pais que conceberam sem intervenção médica tinham entre 18 e 24 anos, enquanto aqueles que recorreram a assistência reprodutiva tinham, na sua maioria, 35 anos ou mais.

O estudo foi realizado pela Universidade do Michigan, nos Estados Unidos.

Fonte: Bio News

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