Estudo avalia efeitos secundários em sobreviventes de leucemia infantil

Os avanços no tratamento da leucemia linfoblástica aguda melhoraram a sobrevida para a maioria dos pacientes com a doença; no entanto, um estudo realizado pelo St. Jude Children’s Research Hospital, nos Estados Unidos, mostrou que a carga dos efeitos tardios tem vindo a alterar-se, mas não a reduzir.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Lancet Hematology.

Os tratamentos para crianças com leucemia linfoblástica aguda evoluíram imenso nos últimos 50 a 60 anos; atualmente, as taxas de sobrevida global a 5 anos situam-se nos 90%.

No entanto, não existia nenhum estudo que tivesse avaliado especificamente as mudanças na prevalência e na magnitude das condições crónicas de saúde a longo prazo nesta população de sobreviventes.

Nesta investigação participaram 980 sobreviventes de leucemia linfoblástica aguda pediátrica, que haviam sido tratados de acordo com um protocolo padrão no St Jude Children’s Research Hospital, entre 1963 e 2003; no início do estudo, todos os sobreviventes tinham, pelo menos, 18 anos.

Os pacientes foram acompanhados por um período mínimo de 10 anos após o diagnóstico.

Entre outras, o estudo concluiu que a magnitude dos problemas crónicos de saúde não diminuiu nesta população, mesmo com tratamentos mais modernos; contudo, o tipo de efeitos secundários mudou.

Ao comparar os efeitos secundários observados em sobreviventes tratados entre 1962 e 1991 e sobreviventes tratados entre 1991 e 2007, os cientistas descobriram que, embora o primeiro grupo fosse mais propenso a experimentar efeitos secundários que envolviam vários sistemas de órgãos, como o reprodutivo, o neurológico ou o gastrointestinal, os sobreviventes tratados mais recentemente tinham uma maior probabilidade de desenvolver problemas musculoesqueléticos; segundo os investigadores, estes efeitos estão relacionados com tratamento intensivo com dexametasona e asparaginase.

Embora tenham sido observadas reduções no risco de acidente vascular encefálico e de convulsões, verificou-se que os pacientes pediátricos tratados mais recentemente tinham taxas mais elevadas de neuropatias, sensoriais e motoras.

Em relação à função endócrina, se por um lado, os pacientes tratados com protocolos mais antigos apresentaram um elevado número de disfunções no eixo hipotálamo-hipofisário, por outro, os pacientes tratados mais recentemente apresentaram uma maior probabilidade de sofrer alterações no metabolismo da glicose.

De uma forma geral, e quando comparados com a população saudável, os sobreviventes de leucemia linfoblástica aguda apresentaram condições crónicas de saúde mais frequentes e mais severas, particularmente nos sistemas endócrino, reprodutivo e neurológico.

“Embora o tipo de efeitos secundários tenha mudado, o efeito negativo das terapias na saúde futura permaneceu”, concluíram os autores do estudo.

Os resultados também mostram que a vigilância médica e o aconselhamento contínuos são fundamentais para garantir a preservação da saúde dos sobreviventes de leucemia infantil.

Fonte: Oncology Nurse Advisor

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