Estudo avalia associação entre pílula e leucemia infantil

Crianças nascidas de mães que usaram qualquer tipo de contraceção hormonal tiveram quase 50% mais probabilidade de desenvolver leucemia do que crianças cujas mães nunca usaram esse tipo de contracetivos.

Esta conclusão, que carece de validação antes que haja qualquer mudança na prática clínica, foi feita por um estudo dinamarquês que analisou aproximadamente 1,2 milhões de crianças nascidas entre 1996 e 2014.

Para o estudo, publicado no The Lancet Oncology, os investigadores selecionaram dados do Registo de Nascimentos Dinamarquês e do Registo Oncológico da Dinamarca; nesses dados, estavam registadas 606 crianças diagnosticadas com leucemia: 465 com leucemia linfoblástica e 141 com leucemia não linfoblástica.

Não foi observada qualquer associação entre o tempo de contraceção hormonal e o risco de leucemia linfoblástica; no entanto, para a leucemia não linfoblástica, o risco foi ligeiramente maior que o dobro com o uso de contracetivos pouco antes da gravidez e quase quatro vezes maior para o uso durante a gravidez.

A relação entre a contraceção e qualquer tipo de leucemia foi mais forte para as crianças diagnosticadas com a doença entre os 6 e os 10 anos de idade.

Os sexos das crianças e fatores perinatais não influenciaram os resultados.

Os investigadores estimam que o uso de contracetivos hormonais próximo ou durante a gravidez podem resultar em 1 caso adicional de leucemia em cerca de 50 mil crianças; durante o estudo, que teve uma duração de 9 anos, foram diagnosticados 25 casos.

“Anteriormente, observámos um aumento acentuado do risco de leucemia em crianças nascidas após o uso de progesterona usada no tratamento de fertilidade, pelo que, para nós, o próximo passo foi olhar para o uso materno de hormonas num contexto diferente e qual a sua relação com o risco de leucemia infantil “, disse uma das investigadoras do estudo, que está a ser realizado pelo Sociedade do Cancro Dinamarquesa.

Os especialistas mostraram-se surpreendidos pelo facto de os resultados serem tão fortes, estatisticamente significativos e consistentes.

“É muito difícil identificar os fatores de risco para a leucemia infantil, já que felizmente é uma doença tão rara, e quando uma doença é rara, é difícil obter resultados estatisticamente significativos porque o poder estatístico de mostrar efeitos verdadeiros é limitado”, explicaram.

Ainda assim, os mecanismos precisos para um efeito causal entre a contraceção e a leucemia infantil continuam a carecer de ser determinados.

“Por um lado, descobrimos que as crianças nascidas de mulheres que pararam de usar contracetivos hormonais aproximadamente 6 meses antes da conceção não apresentavam um risco aumentado de desenvolver leucemia”, disse a investigadora.

Mas, como ainda existem poucos fatores de risco bem estabelecidos para a leucemia infantil, “não é possível compartilhar nenhuma recomendação no momento”.

Fonte: Contemporary OB/GYN

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