Estudo analisa impacto emocional do diagnóstico de cancro infantil nos pais das crianças

Os pais de crianças diagnosticadas com cancro sentem-se solitários, assustados e negligenciados por aqueles que os rodeiam, de acordo com uma nova pesquisa.
O estudo, realizado pelo Children’s Cancer and Leukaemia Group, uma instituição britânica de cariz solidário, tentou descobrir o impacto de um diagnóstico de cancro infantil no seio familiar, para tentar melhorar o atendimento e o apoio aos pais e cuidadores.
A pesquisa, feita online, questionou pais e cuidadores de crianças diagnosticadas com cancro e descobriu que 96% dos entrevistados se sentiam solitários ou isolados após o diagnóstico dos seus filhos, enquanto 79% disseram que se sentiam excluídos de uma vida normal.
“De que forma o cancro afetou a vida das famílias” ou “Como se lida com o stress e a ansiedade” foram algumas das questões colocadas aos pais.
A pesquisa destacou a falta de consciencialização de outras pessoas sobre o que se deve, ou não, dizer às famílias afetadas pelo diagnóstico de cancro.
Quase metade dos entrevistados classificaram a declaração “Não te preocupes, vai correr tudo bem” como a pior coisa que podiam ouvir.
“O cancro infantil não é tão grave como o cancro de adultos” ou “o meu animal de estimação também teve cancro”, foram outros dos comentários que os pais e cuidadores consideraram como negativos.
Quando questionados sobre qual a melhor forma que amigos e familiares poderiam ajudar, 93% dos entrevistados sugeriram manter contato regular, enquanto 91% queriam falar sobre tópicos normais “não relacionados com o cancro” e 84% queriam um abraço amigável.
Os pais expressaram mágoa e surpresa pelo modo como alguns amigos os evitavam e ignoravam.
“Estarei sempre aqui para ti” e “Como estás?” foram as frases que mais conforto traziam aos inquiridos.
Mais de 70% dos entrevistados disseram que ter uma refeição familiar preparada era a coisa mais útil que alguém poderia fazer por eles. Oferecerem-se para ajudar a cuidar da criança também foi um item altamente valorizado.
Mais de metade dos entrevistados (51%) disse não ter recebido qualquer ajuda sobre como lidar com o sofrimento emocional e o choque do diagnóstico.
“Ouvir os sentimentos expressos pelos pais e as dificuldades emocionais que eles enfrentam deram-nos uma imagem clara do impacto significativo que o cancro infantil tem na vida pessoal e familiar”, disseram os investigadores.
“Embora a maior ênfase tenha que ser dada ao melhoramento dos tratamentos, estes resultados destacam que é preciso ter a certeza que os pais e os cuidadores têm acesso a um pacote completo de cuidados de apoio emocional e psicológico durante esta dura jornada”, continuaram.
“Estas informações valiosas vão-nos ajudar a criar mudanças positivas nas nossas redes nacionais de especialistas e impulsionar a pesquisa nesta importante área”.
Os resultados foram publicados como forma de promover o Setembro Dourado, o mês de consciencialização para o cancro infantil.
Comments are closed.