Estados Unidos: estudo avalia custos de saúde com sobreviventes

Muitas vezes esquecidos, os sobreviventes de cancro infantil são obrigados a enfrenta efeitos secundários a longo prazo e complicações médicas após o tratamento.

Deveria caber aos sistemas de saúde garantir que estes sobreviventes sigam planos de triagem personalizados para identificar e abordar os efeitos tardios o mais cedo possível.

Programas de assistência estruturados podem ajudar a desenvolver planos de sobrevivência e facilitar os procedimentos de triagem necessários; no entanto, esses mesmos programas estão associados a custos significativos.

Pela primeira vez, os custos dos cuidados de sobrevivência em relação à adesão dos sobreviventes e a receita do sistema de saúde foram examinados por Jonathan Fish, membro do Feinstein Institutes for Medical Research, nos Estados Unidos.

Para este investigador, os resultados da sua pesquisa podem ser uteis em tomadas de decisões dos sistemas de saúde e podem ajudar a impulsionar mudanças institucionais ou políticas, para melhor apoiar esforços clínicos que pretendem melhorar a adesão do paciente e os cuidados de sobrevivência a longo prazo de sobreviventes de cancro infantil.

A investigação foi publicada na revista Translational Behavioral Medicine.

Aproximadamente 80% das crianças diagnosticadas com cancro sobrevivem, o que equivale a mais de 500 mil sobreviventes de cancro infantil, só nos Estados Unidos.

Como resultado da exposição a vários tratamentos, como a quimioterapia, a radioterapia e a cirurgia, os sobreviventes sofrem altas taxas de doenças e mortalidade devido a problemas de saúde secundários.

Até 95% dos sobreviventes desenvolverão uma doença crónica devido aos efeitos do tratamento.

Existem diretrizes de triagem para acompanhamento a longo prazo, no entanto, algumas pesquisas sugerem que a adesão à triagem pós-tratamento permanece abaixo do que seria recomendável, mesmo entre os sobreviventes de alto risco.

Portanto, é necessário entender melhor de que forma a adesão aos cuidados de acompanhamento está relacionada às finanças no nível hospitalar. Tal entendimento pode levar a um maior apoio aos programas de assistência à sobrevivência.

A criação de receita é um fator que influencia as decisões sobre a alocação de recursos nos sistemas de saúde. Os cuidados de sobrevivência podem ser trabalhosos e demorados, e o reembolso do sistema de saúde para visitas de sobrevivência pode ser limitado em comparação com outras linhas de atendimento.

Este estudo reexaminou dados recolhidos de pesquisas anteriores que ocorreram entre 2010 e 2012. Ao todo, estas pesquisas analisaram 286 sobreviventes de cancro infantil que foram acompanhados no programa Survivors Facing Forward, um programa de sobrevivência de longo prazo do Cohen Children’s Medical Center, nos Estados Unidos.

Os dados ​​incluíram informações sociodemográficas, histórico de cancro, tratamento e resultados de exames de rastreio, como mamografias e ultrassonografias. Dados financeiros sobre os custos de procedimentos e reembolso ao sistema de saúde foram então obtidos para avaliar os custos reais e projetados dos procedimentos e reembolso ao sistema de saúde, com base no status do seguro.

Os resultados mostraram que a taxa geral de adesão aos procedimentos recomendados foi de 50%. O custo médio dos procedimentos recomendados para o grupo aderente foi de 1 211 dólares (cerca de mil euros), enquanto o custo projetado para o grupo não aderente foi significativamente maior, 2 469 dólares (cerca de 2 217 euros).

Estima-se que, por visita, o sistema de saúde receba uma média de 850 dólares (cerca de 763 euros) em lucro para os pacientes do grupo aderente.

Por outro lado, os cuidados recomendados pelo grupo não aderente incluíram procedimentos de custo mais alto com uma margem de lucro potencial mais considerável para o sistema de saúde. Foi estimado que o sistema de saúde teria recebido uma média de 1 932 dólares (cerca de 1 735 euros) em lucro por visita se esses pacientes tivessem completado todos os procedimentos recomendados.

“As descobertas mostram que um investimento modesto de recursos por parte do sistema de saúde para melhorar a adesão entre os sobreviventes pode proporcionar um retorno positivo sobre o investimento”, disse o autor do estudo.

“Pequenas mudanças, como a comunicação entre as equipas de sobreviventes e a administração do sistema de saúde, podem ter um grande impacto na melhoria do atendimento aos sobreviventes.”

O diálogo entre as equipas de assistência e a administração em torno das barreiras dos pacientes pode aumentar a adesão dos pacientes, com um investimento mínimo de tempo e recursos.

Essa ação poderia melhorar a saúde e a qualidade de vida dos sobreviventes e fornecer um retorno do investimento para o sistema de saúde.

“Reconhecendo que o atendimento ao paciente é a maior prioridade para todos os sistemas de saúde, é imperativo que implementemos programas que os pacientes possam aderir com sucesso a longo prazo. Fazer isso não apenas ajuda a manter nossos pacientes livres de cancro, como também melhora a qualidade de vida geral nos anos vindouros”, lê-se no estudo.

Fonte: Business Wire

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