Descoberto novo método para tratar forma agressiva de leucemia

Há já alguns anos que os investigadores têm lutado para encontrar um tratamento para pacientes que têm recidiva de leucemia mieloide aguda, um dos tipos de cancro de sangue mais agressivos e letais.

Só nos Estados Unidos, são diagnosticadas cerca de 19 520 pessoas por ano; desses casos, cerca de 10 670 pacientes acabam por falecer no ano seguinte, segundo a American Cancer Society.

Investigadores da Universidade de Purdue estão a desenvolver uma série de compostos farmacológicos que se mostraram promissores no tratamento de tais casos.

Cerca de 30 por cento dos pacientes com a doença apresentam uma mutação causada por uma quinase chamada FLT3, que torna a leucemia mais agressiva.

Os inibidores de FLT3, tal como o fármaco Radapt, aprovado no ano passado pelo regulador de saúde norte-americano (FDA), mostraram uma boa resposta inicial ao tratamento da leucemia. O Gilteritinib, outro inibidor de FLT3, foi aprovado no final de 2018.

Ainda assim, os pacientes com leucemia mieloide aguda em tratamento com inibidores FLT3 acabam por sofrer uma recidiva devido a mutações secundárias na FLT3 e os tratamentos existentes não têm sido totalmente bem sucedidos no tratamento destes casos.

Os investigadores afirmam que desenvolveram uma série de compostos que não só atuam na doença com mutação comum em FLT3, como também em casos de leucemia com mutações resistentes a fármacos.

“Estes compostos têm um grande potencial para ser a próxima terapia para pacientes com leucemia mieloide aguda recidivados que não respondem mais aos inibidores de FLT3 de primeira ou segunda geração”, disseram os investigadores, num artigo publicado na revista EBioMedicine.

Os resultados do estudo são encorajadores porque, embora os avanços tenham sido feitos em muitas outras formas de cancro nas últimas três décadas, o avanço da pesquisa para a leucemia mieloide aguda tem sido lento.

A doença, que representa apenas cerca de 1% de todos os cancros, ocorre quando as células sanguíneas não amadurecem ou se diferenciam e se multiplicam sem controlo, o que causa uma falta de glóbulos vermelhos transportadores de oxigénio adequados.

Apesar de ser pouco comum em adultos com menos de 45 anos, a doença ocorre em crianças.

De acordo com os investigadores, em estudos com ratos “quase nenhuma carga de leucemia era visível após o tratamento, que durou apenas algumas semanas. Essencialmente, esta nova classe de inibidores de FLT3 também trabalha contra mutações secundárias resistentes a fármacos”.

Em ambiente clínico, o objetivo é reduzir os níveis de leucemia o suficiente para que um paciente possa ser sujeito a um transplante de medula óssea. Na maioria das vezes, se a carga de leucemia não é drasticamente reduzida antes do transplante de medula óssea, existe uma grande probabilidade de que a doença recidive.

Os compostos desenvolvidos não mostraram sinais de toxicidade.

Em testes clínicos, os especialistas verificaram que altas doses dos compostos não resultaram em perda de peso, irritabilidade ou disfunção de órgãos essenciais. Outra vantagem destes compostos é que eles podem ser tomados por via oral.

“A leucemia mieloide aguda não é causada por apenas uma mutação, mas sim por muitas mutações. Isso significa que podemos ter um paciente com leucemia mieloide aguda que tem um tipo de mutação e depois termos outro com outro tipo de mutação que não pode ser tratado com o mesmo fármaco. Mais, mesmo quando um paciente inicialmente apresenta um tipo de mutação, durante o tratamento, pode surgir uma nova”, explicaram os cientistas.

“Assim, para efetivamente conseguirmos tratar este cancro, precisamos ter conhecimento de que mutação estamos a tratar; isso é o que é chamado de medicina de precisão: adaptar um medicamento a um fator específico da doença”.

Fonte: Eurekalert

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