Proteína pode ser útil no tratamento de cancro de tecidos moles

O rabdomiossarcoma é o cancro infantil mais comum nos tecidos moles que tem origem, na maioria das vezes, nos músculos.

Este tipo de cancro representa quase 5% dos tumores pediátricos, sendo que a sua taxa de sobrevivência situa-se entre os 60% e os 70%.

Uma nova investigação, publicada na revista Cancer Letters, focou-se no estudo do tipo mais agressivo e difícil de tratar do rabdomiossarcoma, o tipo alveolar.

As metástases desempenham um papel essencial na progressão da doença, pois induzem uma diminuição severa na taxa de sobrevivência do paciente, inferior a 30%.

No estudo, os cientistas do Instituto de Pesquisa Biomédica Bellvitge, em Espanha, observaram que essas células de sarcoma têm um nível aumentado de proteína LOXL2, algo que está implicado na capacidade metastática dos tumores.

Numa situação normal, a LOXL2 atua fora da célula, modificando a matriz extracelular circundante. No entanto, num ambiente tumoral, a LOXL2 atua no interior da célula, promovendo processos de metástase por um mecanismo independente da sua função normal.

Os investigadores afirmam que, em qualquer tratamento futuro que tente inibir a atividade da LOXL2 para reduzir a metástase do rabdomiossarcoma, a penetração do fármaco no interior das células deve ser considerada.

Além disso, os cientistas acrescentam que os medicamentos existentes que bloqueiam a atividade clássica da LOXL2 não afetariam o seu papel metastático, pois são independentes da sua função clássica.

Mas não foram apenas os modelos celulares de rabdomiossarcoma alveolar que mostraram uma clara diminuição da capacidade metastática pela eliminação da LOXL2. Além disso, a injeção dessas células em ratos saudáveis ​​demonstrou que aqueles que expressam LOXL2 formavam mais metástases do que aqueles que não expressavam a proteína.

Mais, amostras de pacientes humanos sugeriram uma menor taxa de sobrevivência para pacientes com níveis mais altos de LOXL2. No entanto, serão necessários mais estudos para confirmar essa relação.

Uma das questões que permanece em aberto é de que forma a proteína LOXL2 regula a função metastática nas células tumorais. Os cientistas descobriram que a proteína interage com a vimentina, uma proteína cito-esquelética que fornece suporte estrutural, resistência celular e desempenha um papel crucial na migração celular, processos básicos em metástases.

Fonte: Medical Xpress

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