Crianças com cancro são prejudicadas no acesso a novos medicamentos

Medicamentos contra o cancro aprovados pelo regulador de saúde norte-americano (FDA) demoram uma média de 6,5 anos desde o primeiro ensaio clínico em adultos até ao primeiro ensaio em crianças.

As conclusões do estudo, realizado pelo Boston Children’s Cancer and Blood Disorders Center, nos Estados Unidos, foram publicadas no European Journal of Cancer.

“O tempo que se demora a começar a estudar estas terapias em crianças é demasiado”, disse um dos investigadores, Steven G. DuBois.

“Enquanto um médico que cuida de pacientes jovens com cancro, sinto-me frustrado com esta situação. Não sei se aguentaria caso fosse pai de uma criança com esta doença”.

Os investigadores realizaram uma análise sistemática do tempo entre os primeiros testes em humanos e os primeiros testes em crianças de medicamentos aprovados pela FDA pela primeira vez, para qualquer indicação oncológica, entre 1997 e 2017.

A investigação utilizou testes clínicos, registos de ensaios, literatura publicada e resumos para identificar ensaios e datas de início relevantes.

Nesse período, 126 medicamentos oncológicos receberam aprovação inicial da FDA. Após serem excluídos os moduladores hormonais, por não serem relevantes para o cancro infantil, restaram 117 agentes para análise; desses, 15 (12,8%) ainda não tinham sido testados em crianças e apenas 6 (5,1%) haviam recebido aprovação por parte da FDA que incluía crianças.

Os dados mostraram uma média de atraso de 6,5 anos entre os primeiros testes em humanos e os primeiros testes em crianças.

“Algumas pessoas podem argumentar que esta defasagem é apropriada para garantir a segurança de uma população pediátrica vulnerável e para estudar apenas agentes em crianças que serão aprovados pela FDA, com base nos resultados em adultos com cancro”, explicou o investigador.

“Outros podem argumentar que esta defasagem é muito longa para crianças com doenças potencialmente fatais e que alguns agentes que falham em indicações de adultos podem, no entanto, revelar-se fármacos importantes para indicações pediátricas.”

Fonte: Medical Xpress

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