Combinação de fármacos pode ser útil contra glioma

Um novo estudo realizado para tratar gliomas resistentes e recorrentes de baixo grau retardou o crescimento do tumor e matou células tumorais em modelos animais de laboratório.

Investigadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, combinaram a carboplatina, um fármaco quimioterápico padrão eficaz contra estes tumores cerebrais, e o everolimus, um fármaco que bloqueia uma enzima que estimula o crescimento tumoral, intitulada mTOR.

As descobertas foram publicadas na revista Neuro-Oncology.

O glioma pediátrico de baixo grau é o tumor cerebral mais comum em crianças e muitas vezes pode ser tratado apenas com cirurgia. No entanto, alguns pacientes têm tumores em locais que tornam a cirurgia muito arriscada.

Um dos investigadores envolvidos no estudo, Eric Raabe, disse que os tumores recidivam em cerca de 50% dos pacientes o que os torna frequentemente resistentes à quimioterapia.

Daí que os investigadores se tenham questionado se combinar carboplatina e everolimus seria mais eficaz.

Quando tratadas apenas com carboplatina, quatro linhas celulares humanas diferentes de células de cancro de glioma de baixo grau não responderam ao fármaco ou continuaram a crescer. Da mesma forma, algumas linhas celulares foram resistentes ao everolimus isolado.

Mas quando os investigadores trataram as mesmas linhas celulares com uma combinação de carboplatina e everolimus, as células morreram ou cresceram mais lentamente.

“Observámos uma inibição de crescimento dramática depois de termos administrado uma baixa concentração de everolimus combinada com a carboplatina. Descobrimos que o everolimus interrompeu um mecanismo chave que as células cancerígenas usam para desintoxicar a carboplatina. A capacidade do everolimus de aumentar o poder da carboplatina sugere que essa combinação pode ser usada de forma eficaz em pacientes humanos”, disseram os cientistas.

Num estudo clínico de 2014, os investigadores conseguiram confirmar a segurança do everolimus bloqueador de mTOR em pacientes com glioma pediátrico de baixo grau e descobriram que alguns pacientes responderam ao medicamento.

No entanto, nunca tinham testado o tecido tumoral desses pacientes para entender o papel molecular da mTOR.

“O atual estudo clínico sobre o efeito do everolimus no glioma pediátrico de baixo grau requer que alguns tecidos tumorais de cada paciente sejam avaliados quanto à expressão de marcadores mTOR que possam prever a resposta ao everolimus”, explicaram os cientistas.

“Desta forma, esperamos descobrir quem tem maior probabilidade de responder ao medicamento, para que nos possamos aproximar do nosso objetivo de dar o medicamento certo ao paciente certo, na hora certa. No futuro, poderemos dar everolimus juntamente com carboplatina a pacientes com expressão de alto nível de mTOR”, acreditam os investigadores.

Fonte: News Wise

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