Cientistas utilizam Inteligência Artificial para criar terapias inovadoras contra cancro infantil

Há mais de 50 anos que não são observadas quaisquer melhorias nas taxas de sobrevivência de crianças diagnosticadas com tumores de glioma pontino intrínseco difuso (DIPG).

Mas agora, a inteligência artificial pode vir a ser utilizada na luta contra esta forma mortal de cancro cerebral pediátrico, após novas investigações realizadas por cientistas britânicos.

1 em cada 4 crianças com DIPG possui uma mutação num gene conhecido como ACVR1, para o qual nenhum tratamento foi aprovado.

Cientistas do Institute of Cancer Research e do Royal Marsden NHS Foundation Trust, no Reino Unido, foram capazes de utilizar a Inteligência Artificial para descobrir que a combinação de um medicamento denominado everolimus com outro chamado vandetanibe pode aumentar a capacidade deste último de passar pela barreira hematoencefálica e atacar esta doença.

A combinação de medicamentos mostrou-se eficaz em ratos, onde os fármacos aumentaram os níveis de vandetanibe dos animais em 56% e as suas taxas de sobrevivência em 14%.

O processo foi testado em quatro crianças e os especialistas esperam envolver um grupo mais amplo em ensaios clínicos – ambos os fármacos usados no estudo estão já aprovados para o tratamento de outros tipos de cancro.

Esta descoberta surge dias depois de os resultados de um grande ensaio clínico mostrarem que um simples exame de sangue pode detetar até 50 tipos de cancro.

“Para além de bastante encorajadora, esta investigação destaca a possibilidade de aproveitarmos a Inteligência Artificial para encontrar melhores curas para vários tipos de cancro infantil, incluindo o glioma pontino intrínseco difuso”, disse Fernando Carceller, consultor em neuro-oncologia pediátrica da Royal Marsden NHS Foundation Trust.

As bases para esta investigação surgiram da BenevolentAI, uma empresa que construiu uma plataforma de descoberta de medicamentos de Inteligência Artificial – cientistas do Institute of Cancer Research trabalharam em conjunto com investigadores da BenevolentAI para usar a plataforma e identificarem fármacos que poderiam ser usados nas mutações ACVR1 em casos de glioma pontino intrínseco difuso.

“Utilizar a Inteligência Artificial tem-se provado útil na expansão das capacidades dos cientistas para encontrar novas abordagens de tratamento inovadoras – seja através da descoberta de novas terapêuticas ou do reaproveitando as existentes – não apenas no caso do glioma pontino intrínseco difuso, como também noutras doenças”, afirmou Peter Richardson, vice-presidente da BenevolentAI.

Fonte: The National News

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