Cientistas testam nova abordagem contra cancro cerebral

Um hidrogel que revela e mata células cancerígenas pode significar o fim de tratamentos debilitantes para crianças com cancro no cérebro, uma doença letal que afeta milhares de pacientes pediátricos todos os anos.

“A biologia do cancro é a minha paixão, porque acho que as tecnologias que desenvolvemos podem causar um grande impacto”, disse a investigadora Natalie Artzi.

Quando um amigo da família foi diagnosticado com cancro no cérebro aos 13 anos, Natalie ficou profundamente afetada pelo tratamento que a criança recebeu; “foi muito doloroso ver o que ele passou”.

A experiência desse amigo inspirou Natalie a criar o seu projeto BRIght Futures.

Natalie desenvolveu um hidrogel que pode ser pulverizado ou injetado no cérebro; desta forma, o hidrogel liberta um coquetel de fármacos e nanopartículas que ativam o sistema imunitário, revelando e eliminando células cancerígenas.

A entrega local do gel reveste e ataca o tumor sem causar efeitos secundários prejudiciais; os fármacos presentes no gel são libertados ao longo do tempo e as células imunitárias reprogramadas para eliminar as células cancerígenas.

“Basicamente, estamos a aproveitar uma combinação muito boa de coquetéis de medicamentos ou imunoterapia, juntamente com uma abordagem de entrega local”, disse a investigadora.

Na teoria, a solução precisaria de ser administrada apenas uma vez, dissolvendo-se quando o tumor desaparece.

“Queremos treinar o sistema imunitário para reconhecer as células cancerígenas e depois encontrá-las onde quer que estejam”.

Os tumores cerebrais são o cancro infantil mais letal, com uma taxa de sobrevivência de apenas 9 a 15 meses – algo que não muda há 20 anos; não há cura para a doença.

As melhores terapias para combater o cancro cerebral não surgiram, em parte, devido à barreira hematoencefálica, uma membrana que impede a maioria das moléculas de penetrar no cérebro. O gel agora desenvolvido contorna essa membrana.

“Não precisamos de intervir várias vezes, podemos programar o hidrogel para libertar os medicamentos durante semanas”, revelou a cientista.

No futuro, o hidrogel pode ser desenvolvido para atacar outros tipos de cancro.

“Eu acho que este gel pode, potencialmente, mudar os protocolos pelos quais tratamos os pacientes, reduzir os efeitos secundários e aumentar significativamente a eficácia terapêutica”.

“Se conseguirmos eliminar a cirurgia, a radioterapia ou a quimioterapia tóxica, conseguiremos fazer uma grande diferença no tratamento do cancro”.

Fonte: Boston Herald

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