Cientistas tentam encontrar nova terapêutica para sarcoma de Ewing

O sarcoma de Ewing é um cancro ósseo que aparece principalmente em adolescentes.

Investigadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, descobriram a existência de interações moleculares subjacentes aos sarcomas de Ewing e propuseram um potencial tratamento, que mostrou ser promissor num estudo em ratos.

As descobertas foram publicadas recentemente na revista Cell Reports.

A pesquisa focou-se nos recetores de hormonas chamados glicocorticóides; esses recetores estão presentes em praticamente todas as células humanas, transmitindo mensagens hormonais relacionadas ao stress, vigília e uma série de outras funções importantes.

Mas, às vezes, os recetores glicocorticóides estimulam o crescimento maligno; isso acontece através da sua movimentação para o núcleo celular, onde interagem fisicamente e se ligam a fatores de transcrição – moléculas que ativam ou desativam genes.

Os cientistas queriam saber mais sobre o papel dessas interações na malignidade.

Uma análise de interação proteica altamente sensível, adequada para células vivas, revelou interações previamente desconhecidas: uma vez ativados por hormonas, verificou-se que os recetores glicocorticóides se ligavam no núcleo celular a fatores de transcrição da família E-26, ou ETS, formando juntos uma estrutura física e complexa.

Sabe-se que um dos fatores de transcrição na família ETS impulsiona o desenvolvimento do sarcoma de Ewing; o seu gene funde-se de maneira anormal com outro gene, criando um oncogene: um gene causador de cancro.

Quando o estudo descobriu essa ligação entre o oncogene do sarcoma de Ewing e os recetores glicocorticóides, os cientistas começaram a testar uma hipótese: seria possível que esses recetores aumentassem o crescimento do sarcoma de Ewing?

Uma série de estudos forneceu evidências de que esse é, efetivamente, o caso.

Em laboratório, a ligação física entre os recetores glicocorticóides e a proteína produzida por esse oncogene aumentou o crescimento e a migração das células do sarcoma de Ewing e deu um impulso ainda mais forte ao crescimento e à disseminação do sarcoma em ratos, que serviam como cobaias.

O principal significado médico destas descobertas é que elas abrem a porta para uma nova opção de tratamento para o sarcoma de Ewing.

Quando os investigadores implantaram células humanas de sarcoma de Ewing nos animais, os tumores cresceram muito mais lentamente quando as cobaias foram tratadas com metirrapona, um medicamento aprovado para o tratamento da insuficiência adrenal e que atua reduzindo a síntese de glicocorticóides.

Noutras experiências, também realizadas em ratos, um outro medicamento, o mifepristone, que também bloqueou o recetor glicocorticóide e impediu a formação de metástases do sarcoma de Ewing por uma importante via de disseminação de células cancerígenas, do osso aos pulmões.

Por outro lado, quando os cientistas aumentaram a atividade dos recetores glicocorticóides, os sarcomas cresceram e espalharam-se muito mais rapidamente.

Além disso, os investigadores realizaram uma análise genética de amostras de tumores de pacientes com sarcoma de Ewing e identificaram sete genes regulados pelos recetores de glicocorticóides que foram expressos em níveis acima do normal em pacientes com tumores particularmente letais.

Esses genes podem servir como uma assinatura genética, permitindo uma seleção de pacientes para tratamento: aqueles com genes de “assinatura” não-regulados têm uma maior probabilidade de beneficiar com um tratamento que vise neutralizar os recetores de glicocorticóides.

Os genes de assinatura também podem ajudar a prever o curso da doença: o aumento da expressão pode sinalizar um mau prognóstico; expressão reduzida, por outro lado, pode sinalizar melhores probabilidades de sobrevivência.

Se a pesquisa em pacientes humanos confirmar as descobertas do estudo, ele pode vir a oferecer uma nova esperança para os jovens com esta neoplasia, principalmente em casos em que o sarcoma metastatizou além do osso.

“As nossas descobertas fornecem a base para uma abordagem personalizada ao tratamento do sarcoma de Ewing”, disseram os cientistas.

Fonte: Eurekalert

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