Cientistas tentam aliviar dor de sobreviventes recorrendo a tecnologia e a exercícios de respiração

Uma investigação realizada pela Universidade Concordia, no Canadá, sugere queo uso de pequenos dispositivos eletrónicos podem vir a reduzir a dor em sobreviventes de cancro infantil, ajudando esta população a respirar melhor.

De acordo com a investigadora princial, Nicole Alberts, “40% dos sobreviventes de cancro infantil sofrem de dor crónica, que, muitas vezes, também está relacionada com problemas de respiração”.

Na investigação, adultos sobreviventes de doença oncológica pediátrica foram questionados sobre se estariam dispostos a utilizar pequenos dispositvos tecnológicos que monitorizassem a sua respiração; o uso destes dispositivos seria feito em combinação com exercícios de respiração profunda para o alívio da dor.

Num comunicado à imprensa, Nicole Roberts explicou que a “saúde digital recorre, muitas vezes, a intervenções baseadas em aplicações que, por sua vez, se baseiam em tratamentos baseados em evidências científicas”.

“Um dispositivo tecnológico já consegue, hoje em dia, fornecer intervenções como, por exemplo, ajudar as pessoas a fazer exercícios de respiração profunda para elas se sintam melhor.”

Com base nisto, os cientistas, em colaboração com o St. Jude Children’s Research Hospital, nos Estados Unidos, tentaram encontrar tratamentos não farmacológicos para a dor, como exercícios de respiração profunda combinados com tecnologia digital.

Nicole Roberts foi a investigadora principal deste estudo. – Fonte: DR

Para isso, foi pedido a voluntários que usassem um dispositivo eletrónico, denominado Spire Stone, que iria monitorizar a sua respiração durante as horas de vigília; para além disso, foi também pedido aos voluntários que praticassem exercícios respiratórios diários com uma duração de entre 5 a 8 minutos.

O aparelho mediu os padrões de respiração e classificou-os como “calmos” (a que correspondia uma respiração mais lenta), “tensos” (uma respiração mais rápida ou errática) ou “focados” (uma respiração normal). Caso fossem detetados padrões respiratórios  “tensos” por mais de 2 minutos, o dispositivo enviava alertas a pedir aos participantes que respirassem fundo.

No total, a investigação contou com a participação de 65 voluntários adultos que faziam parte do U.S. Childhood Cancer Survivor Study; todas as pessoas tinham sido diagnosticadas com cancro antes dos 21 anos de idade e todas elas relataram viver com dor crónica.

“O nosso principal objetivo foi perceber se a utilização de pequenos dispositivos eletrónicos, para além de viáveis, úteis para estes sobreviventes. Quisemos perceber se a monitorização ao minuto seria benéfica para esta população e se teria alguns efeitos no controlo de fatores como a dor ou a ansiedade”, disse Nicole Roberts.

“Desta forma”, afirmou, “acreditamos ser possível melhorar significativamente o acesso a tratamentos, nomeadamente para pessoas que vivem em locais remotos ou com mobilidade reduzida”.

De acordo com os resultados, os participantes que usaram estes dispositivos relataram melhorias ao nível da dor diária que sentiam e que interferia nas suas vidas diárias.

Apesar de afirmar que mais investigações são necessárias para explorar os resultados obtidos com este projeto, Nicole Roberts defende que este tipo de tecnologia tem potencial para melhorar a qualidade de vida de sobreviventes que “têm acesso limitado a psicólogos e a outros profissionais de saúde que fornecem tratamentos não farmacológicos”.

A investigação foi publicada na revista JCO Clinical Cancer Informatics.

Fonte: CTV News

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