Cientistas podem ter encontrado uma nova forma de tratar o glioblastoma

Há já algum tempo que os inibidores de MALT1 têm sido usados para o tratamento de cancros do sangue.

Agora, um estudo sugere que esses medicamentos também podem vir a ser uma opção para o tratamento do glioblastoma, um dos tipos de cancro cerebral mais letais.

Durante muito tempo, as pesquisas sobre o cancro estiveram muito concentradas nos chamados oncogenes – genes que, quando mutados, podem causar cancro; embora o direcionamento desses genes tenha levado ao desenvolvimento bem-sucedido de uma série de medicamentos, essa abordagem é dificultada pelo fato de que os tumores geralmente se tornam resistentes a esses tratamentos.

Um estudo realizado pela Universidade de Nantes, em França, em conjunto com outras entidades de investigação, tentou uma nova abordagem. Durante a progressão da doença, as células cancerígenas tornam-se fortemente dependentes dos genes e funções celulares normais para sobreviver. Esses genes podem assim servir como alvos em potencial para atacar o crescimento do tumor com mais eficiência.

Um gene denominado tecido linfoide associado à mucosa l (MALT1), por exemplo, é altamente ativo no linfoma, um tipo de cancro do sangue, e o bloqueio do MALT1 faz com que as células do linfoma morram.

Os inibidores de MALT1 foram vistos como um novo tratamento promissor para linfomas, mas este estudo tentou descobrir qual o papel desses inibidores em tumores sólidos, como o glioblastoma.

Ao usarem dados do Cancer Genome Atlas, uma caracterização molecular de mais de 20 mil cancros primários, os cientistas revelaram que os níveis de MALT1 se correlacionam fortemente com a sobrevivência de pacientes com cancro no cérebro – pacientes com menores níveis de MALT1 tendem a viver mais tempo.

Os investigadores concentraram a sua atenção nas chamadas células estaminais do glioblastoma, uma subpopulação auto renovável de células no tumor que, provavelmente, são responsáveis ​​pela recidiva do cancro após o tratamento.

O estudo verificou que o direcionamento ao MALT1 com inibidores de MALT1 fazia com que as células estaminais do glioblastoma passassem por uma forma rara de suicídio celular, denominada morte celular lisossómica, em experiências de cultura de células humanas; os lisossomas são organelos dentro da célula que servem como uma espécie de sistema digestivo celular.

O MALT1 mantém níveis baixos de lisossomas nas células cancerígenas, o que é crucial para a sua sobrevivência; por outro lado, inibir o MALT1 leva a um aumento nos níveis de lisossomas, o que, por sua vez, prejudica o sistema de eliminação de resíduos das células, acabando por os matar.

Estes dados, segundo os cientistas, apontam para a possibilidade de explorar ainda mais o papel dos inibidores de MALT1 como um potencial tratamento para o glioblastoma.

Fonte: Medical Xpress

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