Cientista cria bebida para evitar desenvolvimento de leucemia

A leucemia, o cancro mais comum em crianças, adolescentes e adultos jovens, representou 26,4% de todos os tipos de cancros que ocorreram em menores de 20 anos entre 2010 e 2014.

Entre 1969 e 2014, a taxa de mortalidade diminuiu de 2,8 para 100 mil habitantes para 0,6 por 100 mil habitantes, mas apesar desses avanços, a doença ainda é a segunda causa de morte por cancro entre pessoas jovens.

Agora, no entanto, há uma nova esperança.

O investigador Mel Greaves anunciou recentemente que pode ter descoberto a causa básica da leucemia em crianças.

A leucemia linfoblástica aguda geralmente é desencadeada por uma mutação genética que ocorre em uma a cada 20 crianças.

“Essa mutação é causada por algum tipo de acidente no útero. Não é herdado, mas deixa uma criança em risco de contrair leucemia mais tarde na vida”, disse o investigador.

No entanto, para uma criança desenvolver leucemia, o sistema imune tem de estar comprometido.

“Para que sistema imune funcione adequadamente, ele precisa de ser confrontado com uma infeção no primeiro ano de vida da criança. Sem esse confronto com uma infeção, o sistema fica sem preparação e não funcionará corretamente”.

Dado que os pais hoje em dia fazem de tudo para manter os seus filhos isolados dos germes, os seus sistemas imunes são muitas vezes incapazes de combater adequadamente a infeção devido à falta de exposição. Se o sistema imune de um bebé não estiver preparado, as crianças reagirão exageradamente a infeções comuns, que podem desencadear uma inflamação crónica.

À medida que a inflamação avança, substâncias químicas chamadas citocinas são libertadas na corrente sanguínea, o que pode desencadear uma segunda mutação que resulta em leucemia em crianças que têm a primeira mutação.

“A doença precisa de dois acessos para seguir em frente. O segundo vem da inflamação crónica desencadeada por um sistema imune sem imunização”, explicou.

Embora o investigador não tenha a certeza de como evitar a mutação pré-natal inicial durante a gravidez, ele espera encontrar maneiras de bloquear a inflamação crónica futura.

Num esforço para fortalecer o sistema imune das crianças, Mel Greaves e a sua equipa estão a trabalhar com bactérias, vírus e outros micróbios do sistema digestivo.

“Precisamos de encontrar formas de reconstituir os seus microbiomas – que é como chamamos a essa comunidade de micróbios. Também precisamos de descobrir quais são as espécies mais importantes de bactérias para preparar o sistema imune das crianças”.

O investigador está atualmente a analisar ratos para descobrir quais os micróbios que melhor estimulam o sistema imune dos animais; o objetivo é iniciar ensaios clínicos em humanos num espaço de 2 ou 3 anos.

“O objetivo é encontrar 6 ou talvez 10 espécies de micróbios que sejam capazes de restaurar o microbioma de uma criança a um nível saudável. Esse cocktail de micróbios seria dado não como um medicamento, mas talvez como uma bebida parecida com iogurte para as crianças”.

“Se tudo correr bem, isso não ajudaria apenas a evitar que as crianças desenvolvessem leucemia, mas quiçá ajudaria a tratar, ou pelo menos prevenir, doenças como a diabetes tipo 1 e alergias”, explicou o cientista britânico, recentemente armado cavaleiro.

Fonte: The Things

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