Cancro pediátrico: é fundamental reformar a investigação farmacêutica para garantir novos medicamentos

Todos os anos, cerca de 35 mil crianças são diagnosticadas com cancro na União Europeia. A incidência é de cerca de 18 casos por cada 100 mil crianças e jovens adultos.

Para alguns tipos de cancro pediátrico, por vezes não há qualquer tratamento, e muitas vezes os tratamentos existentes não são eficazes. Nalguns casos, as terapias evoluíram pouco nos últimos 30 anos, alertam especialistas e entidades.

A Fundação KickCancer alerta que é urgente reforçar a investigação, o investimento e o quadro regulamento dos cancros pediátricos. “Temos de curar certos tipos de cancro. Alguns doentes, quando recebem o diagnóstico, sabem que nunca vão curar-se. E, no entanto, não têm acesso a novos medicamentos e não há investigações em curso para procurar novos medicamentos para essas crianças. Precisamos de novos medicamentos para curar certas crianças com cancro. Muitas crianças com cancro poderão sobreviver e ficar curadas, mas os tratamentos são muito tóxicos a curto prazo. Por isso, os tratamentos são muito longos e difíceis. Isso significa que os jovens são retirados da vida social, da escola, e isso é muito difícil numa fase da vida em que é preciso desenvolver-se”, afirmou Delphine Heenen, fundadora e diretora-geral da Fundação KickCancer.

Comissão Europeia quer reformar a investigação farmacêutica

Tendo em conta esta realidade, a Comissão Europeia (CE) propõe uma reforma, no setor farmacêutico, para que os estudos com pacientes pediátricos sejam concluídos no prazo de cinco anos, após a autorização inicial de comercialização. O objetivo é que os medicamentos cheguem mais depressa às crianças doentes.

É também proposto que todos os novos medicamentos que possam ser úteis para as crianças doentes sejam efetivamente analisados para ver se é possível usá-los ou não.

Segundo a CE, a simplificação dos procedimentos, o aumento da transparência e o reforço da rede de contactos entre doentes, famílias, académicos e entidades que desenvolvem medicamentos poderão ajudar a acelerar a autorização de fármacos para crianças com cancro.

“As crianças não são pequenos adultos. As crianças necessitam frequentemente de tratamentos e medicamentos totalmente diferentes. Colocámos as crianças e os jovens adultos no centro das atenções através de diferentes incentivos, para recompensar a inovação, e incentivar a investigação e o desenvolvimento”, afirmou, em declarações à Euronews Stella Kyriakides, Comissária Europeia para a saúde e a segurança alimentar.

Fonte: Euronews

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