Cancro infantil: um problema emergente na Europa

Como presidente da Sociedade Europeia de Oncologia Pediátrica (SIOP Europa) – uma organização que representa a comunidade pediátrica de oncologia e hematologia da Europa -, exorto os formuladores de políticas a colocar o cancro infantil no topo da agenda política antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu, que ocorrem no próximo maio.

O trabalho conjunto, a colaboração e as parcerias são cruciais na luta contra o cancro infantil.

É a trabalhar em conjunto e através de alianças com todas as partes interessadas, incluindo formuladores de políticas, grupos de pacientes / pais / sobreviventes e indústrias, que temos conseguido fazer alguns progressos no âmbito da oncologia pediátrica nos últimos 20 anos.

Uma vez que só a ação coordenada da União Europeia pode trazer resultados tangíveis que melhorem a vida das crianças e dos jovens que vivem com cancro, é importante que o próximo Parlamento Europeu eleito apoie e reforce a sua ajuda à causa do cancro infantil.

Apesar de alguns progressos, o cancro pediátrico continua a ser uma importante questão social e de saúde pública na Europa, sendo a principal causa de morte por doença em crianças com 1 ano, ou mais, de idade.

Todos os anos, mais de 35 mil crianças e jovens são diagnosticados com cancro; desses, cerca de 6 mil não sobrevivem.

Até 2025, estima-se que haverá quase meio milhão de sobreviventes de cancro infantil.

Dois terços desses sobreviventes terão problemas de saúde e distúrbios psicossociais a longo prazo, devido à doença e ao tratamento, que podem ser graves e afetar o seu quotidiano.

Daí que seja necessário que haja um Manifesto a favor da pesquisa para o cancro infantil.

Este é um esforço conjunto da SIOP Europa – representante de todos os profissionais que trabalham na área do cancro infantil – e da Child Cancer International (CCI) Europa – representante de grupos de pais e sobreviventes de cancro infantil – que clama por mais e melhores tratamentos para a doença, em linha com objetivos específicos definidos no Plano Estratégico SIOP Europa – Um Plano Europeu de Cancro para Crianças e Adolescentes.

Reconheço que este é um Manifesto ambicioso, mas acredito que deve ser possível curar mais jovens e, muito importante, e curá-los melhor, enquanto se trabalha arduamente no fornecimento de 0 mortes e 0 efeitos tardios.

Estou muito satisfeita pois, durante o mandato 2014-2019, o Parlamento Europeu prestou um apoio decidido e decisivo à comunidade pediátrica de oncologia e hematologia.

Os principais marcos incluem o lançamento, em conjunto com o Grupo dos Deputados Contra o Cancro (MAC), do Plano Estratégico Europeu SIOP – Um Plano Europeu de Cancro para Crianças e Adolescentes e a votação do Parlamento sobre a resolução relativa ao Regulamento Pediátrico, em dezembro de 2016.

Em setembro de 2018, também celebrámos 20 anos de uma ação que nasceu com o intuito de dar um futuro melhor a crianças e adolescentes com cancro.

Um quadro político e regulamentar que permita a investigação, a inovação e o progresso em oncologia pediátrica traduz-se numa Europa que assegura um futuro mais promissor para as nossas crianças e jovens com cancro.

Devemos aos nossos filhos um futuro em que nenhuma criança na Europa morra de cancro ou sofra de efeitos secundários tardios.

Por isso, convido os candidatos a eurodeputados nas próximas eleições europeias a apoiarem a luta contra o cancro infantil, endossando o nosso Manifesto.

Aprecio muito que a nossa comunidade tenha tido a sorte de receber apoio para o cancro infantil, por parte de eurodeputados proeminentes, ao longo dos anos.

Em nome da comunidade de oncologia pediátrica na Europa, agradeço sinceramente todo o apoio dado nos últimos anos.

Texto redigido por Pamela Kearns, Presidente da Sociedade Europeia de Oncologia Pediátrica (SIOP Europa)

Fonte: The Parliament Magazine

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