Cancro infantil: cientistas tentam prevenir reações adversas a medicamentos

Os tratamentos oncológicos podem, muitas vezes, levar a reações adversas a medicamentos que não apenas afetam a recuperação do paciente, como também podem levar a incapacidades permanentes ou até mesmo morte.

Para crianças com cancro que estejam a ser submetidas a tratamento oncológico, o risco de reações adversas graves a medicamentos é ainda maior.

“As reações adversas graves a medicamentos em crianças têm três vezes mais probabilidade de apresentar risco de vida”, disse Martin Ester, docente na Simon Fraser University, no Canadá.

Segundo este investigador, o número de pacientes com cancro infantil que desenvolvem reações adversas graves a medicamentos “é impressionante, cerca de 42%”.

Martin Ester faz parte de uma equipa de pesquisa que, recentemente, recebeu cerca de 6 milhões de euros do Genome Canada: Genomics and Precision Health para estudar de que as respostas dos pacientes à medicação são influenciadas pelos seus genes, um campo conhecido como farmacogenómica.

O cientista, distinguido em 2019 pela Royal Society of Canada, lidera este projeto.

“Já recolhemos mais de 6 125 amostras de ADN e temos relatórios correspondentes de uso de medicamentos e resultados de reações adversas a medicamentos registados num banco de dados clínico”.

Para Martin, esta “é a base que nos ajudará a identificar novas associações entre variações genéticas e reações adversas a medicamentos e desenvolver algoritmos para prever a probabilidade de uma criança sofrer uma reação dessas durante o tratamento oncológico”.

No futuro, os clínicos poderão usar esta tecnologia para avaliar a suscetibilidade de uma criança a estas reações com antecedência e fornecer tratamentos personalizados que as evitariam.

“Estamos a salvar vidas”, afirma.

Embora o conjunto 6 125 amostras de ADN seja amplo o suficiente para a fase de desenvolvimento do projeto, para avançar a equipa de pesquisa necessita de um conjunto de dados maior, mais representativo da população e capaz de garantir previsões precisas de reações adversas a medicamentos.

No entanto, o teste farmacogenómico representa um desafio, pois primeiro requer a educação do médico e do paciente para apoiar a tomada de decisão informada.

Para atender a essa necessidade, a equipe também está a desenvolver ferramentas e recursos para auxiliar na tradução do conhecimento e na aplicação das suas descobertas na prática clínica.

À medida que estão a tentar expandir o acesso a estes testes, de forma a também melhorar a sua pesquisa, os cientistas esperam que os seus esforços ajudem a estabelecer um rastreio farmacogenómico acessível no país.

“Desta forma, conseguiremos construir uma base para a medicina personalizada e para uma melhoria da saúde individual e populacional.”

Fonte: WOWNEWS

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