Cancro infantil: a necessidade de mais pesquisas e de melhores tratamentos

Agora que chegámos a outubro, é importante que nos lembremos que setembro representou o mês de consciencialização para o cancro infantil, uma época que serviu para homenagear todos aqueles que perderam a luta contra o cancro e para alertar para a necessidade ajudar aqueles que estão a meio da batalha.

Enquanto membro do conselho de uma fundação local sem fins lucrativos, que ajuda crianças e famílias afetadas pelo cancro infantil, denominada Cal’s Angels, aprendi que a consciencialização é a chave para que todos trabalhemos em direção ao que importa: a procura pela cura.

De acordo com a National Pediatric Cancer Foundation, menos de 10 medicamentos foram desenvolvidos para uso em crianças com cancro e apenas 3 medicamentos foram aprovados para uso em crianças desde 1980. Com apenas 4% do financiamento do governo federal norte-americano a ser utilizado em pesquisas sobre o cancro infantil, não é de admirar que existam poucas opções de tratamento para estas crianças.

Num país como os Estados Unidos, que é conhecido pelo seu desenvolvimento, como é possível que se feche os olhos ao fato de mais de 15 mil crianças por ano serem diagnosticadas com cancro? Isso equivale a mais de 43 crianças diagnosticadas por dia.

A verdade é que temos que fazer mais por estas crianças, não podemos olhar para o lado.

O simples fato é que devemos fazer melhor pelos nossos filhos. No meu caso, só quando fui confrontada com a luta de um filho de uma amiga minha contra um neuroblastoma, é que tive a noção das dificuldades que existem nesta área. Ele tinha apenas 16 meses quando foi diagnosticado com este cancro que se desenvolve a partir de células nervosas imaturas encontradas em várias áreas do corpo. Todos nós ficámos devastados. Também aí percebi que o cancro infantil não afeta só a criança e os seus pais…afeta a família inteira e todos os amigos.

E é por isso que hoje trabalho para a Cal’s Angels, uma organização que foi fundada em homenagem a Cal Sutter, um menino de 13 anos que faleceu devido a uma leucemia mieloide aguda. A bondade e generosidade do Cal inspiraram o início desta organização que foi capaz de trazer esperança e apoio a milhares de crianças com cancro.

Estamos conscientes de que precisamos de nos concentrar na disseminação da consciencialização.

A melhor maneira – e talvez a única maneira – de celebrarmos setembro como mês da consciencialização para o cancro infantil é divulgar: 40 anos é muito tempo. 4% simplesmente não é suficiente.

O dom da saúde é algo que nunca pode ser tomado como garantido. A minha esperança é que aumentemos a consciencialização e continuemos a lutar por um maior financiamento que ajude pesquisas que estejam a tentar encontrar uma solução para esta doença.

Todas as crianças merecem ter a oportunidade de serem felizes e de viverem com saúde.

Texto redigido por Charlotte Canning, uma mulher que luta diariamente pela causa da oncologia pediátrica

Fonte: KC Chronicle

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