Search

Cancro infantil: a foto que está a emocionar o mundo

A dolorosa foto de uma menina de 5 anos a apoiar o seu irmão de 4 anos de idade, que sofre com os efeitos secundários decorrentes da quimioterapia, tornou-se viral após a mãe das crianças ter partilhado a fotografia para mostrar de que forma o cancro infantil afeta toda a família.

“Uma coisa de que ninguém fala é sobre o quanto o cancro infantil afeta toda a família”, escreveu Kaitlin Burge, mãe de três filhos, natural dos Estados Unidos.

“Fala-se muito sobre as dificuldades financeiras, sobre os problemas médicos… mas com que frequência é que se ouve falar sobre a luta que as famílias de crianças afetadas pelo cancro têm de enfrentar?”

https://www.facebook.com/beatitlikebeckett/posts/3305533652820876

“Para algumas pessoas, pode ser difícil verem esta imagem ou lerem o que eu estou a dizer. Mas estes são dois dos meus filhos, que têm 15 meses de diferença, e que deixaram de poder brincar na escola, e em casa, para ficarem juntos num quarto de hospital”, lê-se na publicação feita na página do Facebook Beckett Strong, que Kaitlin criou após o seu filho, Beckett, ter sido diagnosticado com uma leucemia linfoblástica aguda, em abril de 2018.

A leucemia linfoblástica aguda é a forma mais comum de leucemia diagnosticada em crianças; a doença representa cerca de 30% de todos os casos de cancro infantil.

Este tipo de leucemia afeta as formas imaturas dos glóbulos brancos, chamados linfócitos, que identificam e destroem proteínas estranhas no corpo. Em crianças diagnosticadas com leucemia linfoblástica aguda, a medula óssea produz muitos linfócitos imaturos que não amadurecem corretamente e que não têm a capacidade de combater a infeção.

Os sintomas podem-se apresentar na forma de anemia, hemorragias ou hematomas, dor nas articulações e ossos, febres ou infeções recorrentes, dor abdominal, entre outros; o tratamento pode consistir em quimioterapia, transfusão de sangue, antibióticos, radioterapia e transplante de medula.

A família Burge. – Fonte: DR

A jornada do pequeno Beckett teve início no dia 23 de abril de 2018, quando funcionárias da creche do menino ligaram à sua mãe para o ir buscar, uma vez que a criança apresentava sintomas febris.

Preocupada, Kaitlin levou o seu filho ao médico, que lhe diagnosticou uma infeção no ouvido e lhe prescreveu antibióticos; o pediatra alertou Kaitlin para que, caso os sintomas não melhorassem, a mãe voltasse ao hospital.

No dia a seguir, com a febre cada vez mais elevada, o menino foi transportado até ao hospital pediátrico mais próximo.

“Eu achava que me iam dizer que o meu filho tinha um tímpano perfurado, ou algo parecido… mas fiquei muito apreensiva quando uma enfermeira veio ter comigo, de telemóvel na mão, a dizer que o pediatra do Beckett queria falar comigo”, contou Kaitlin.

Os exames mostraram que o meu filho tinha uma pneumonia no pulmão esquerdo e níveis muito alterados de hemoglobina e de glóbulos brancos.

“O nosso médico, que eu adoro e a quem estarei eternamente agradecida, disse-me que o Beckett tinha leucemia. Não havia dúvidas. Eu nem sabia bem o que era leucemia, mas sabia que estava relacionado com cancro, e cancro nunca é algo bom”.

O menino foi transferido para um hospital em Dallas, uma vez que também sofria de insuficiência respiratória aguda. Após uma estadia inicial nos Cuidados Intensivos, Beckett foi transferido para a ala de oncologia pediátrica e, em setembro de 2018, a família recebeu um cronograma do tratamento, que está programado para terminar em agosto de 2021.

Beckett foi diagnosticado em abril de 2018. – Fonte: DR

Após quase um ano a seguir ao diagnóstico, Kaitlin partilhou fotografia, que acabou por se tornar viral, onde se vê Beckett a vomitar, apoiado pela sua irmã mais velha, Aubrey, de 5 anos, que esfrega delicadamente as suas costas.

“Com 4 anos, a Aubrey viu coisas que não conseguia entender. Viu o Beckett ser levado por uma ambulância, viu os médicos, com máscaras, a darem injeções cheias de medicamentos ao irmão, enquanto ele estava deitado, impotente. Ela não sabia o que estava a acontecer com o seu irmão, que é também o seu melhor amigo”.

“Pouco mais de um mês depois de o Beckett ter tido alta hospitalar, a Aubrey viu-o com dificuldades a andar. O irmão dela, um menino animado, enérgico e extrovertido, que ela tão bem conhecia, era agora um menino quieto, doente e com muito sono, que nunca queria brincar”.

“Tudo lhe fazia confusão. Ela não entendia como é que ele estava a ser tratado se cada vez ficava pior. Ela não percebia os efeitos das diferentes terapias a que ele foi sujeito. Não percebia porque é que ele já não queria brincar com ela, porque é que eles não podiam ir ao parque, como sempre fizeram. Porque é que ele não podia voltar à escola, mas ela tinha de ir, e deixá-lo sozinho, em casa, sem ela.”

https://www.facebook.com/beatitlikebeckett/posts/3275303082510600

Mas, se todo esse processo estava a ser tão doloroso para Aubrey, porque é que Kaitlin permitiu que a menina acompanhasse os tratamentos do irmão?

“As crianças precisam de apoio e de união, e não devem ser mantidas afastadas da pessoa que está doente”, explica a mãe.

“Hoje, eles estão mais próximos. A Aubrey não quer deixar o irmão, ela passa bastante tempo ao lado dele, a cuidar dele, a apoiá-lo. E isso, parecendo que não, é muito importante. Porque é isto que acontece quando alguém é diagnosticado com cancro infantil. Estas rotinas, estas dificuldades, esta é a realidade desta doença.”

Beckett e Audrey são os melhores amigos. – Fonte: DR

Depois de a foto de Beckett e de Aubrey se ter tornado viral, a preocupação e o apoio que a família recebeu foi de tal ordem, que Kaitlin partilhou uma foto atualizada de Beckett a preparar-se para o seu primeiro dia de escola.

Fonte: Fox News

Explore
Drag