Cancro infantil: a foto que está a emocionar o mundo

A dolorosa foto de uma menina de 5 anos a apoiar o seu irmão de 4 anos de idade, que sofre com os efeitos secundários decorrentes da quimioterapia, tornou-se viral após a mãe das crianças ter partilhado a fotografia para mostrar de que forma o cancro infantil afeta toda a família.

“Uma coisa de que ninguém fala é sobre o quanto o cancro infantil afeta toda a família”, escreveu Kaitlin Burge, mãe de três filhos, natural dos Estados Unidos.

“Fala-se muito sobre as dificuldades financeiras, sobre os problemas médicos… mas com que frequência é que se ouve falar sobre a luta que as famílias de crianças afetadas pelo cancro têm de enfrentar?”

One thing they don’t tell you about childhood cancer is that it affects the entire family. You always hear about the…

Publicado por Beckett Strong em Terça-feira, 3 de setembro de 2019

“Para algumas pessoas, pode ser difícil verem esta imagem ou lerem o que eu estou a dizer. Mas estes são dois dos meus filhos, que têm 15 meses de diferença, e que deixaram de poder brincar na escola, e em casa, para ficarem juntos num quarto de hospital”, lê-se na publicação feita na página do Facebook Beckett Strong, que Kaitlin criou após o seu filho, Beckett, ter sido diagnosticado com uma leucemia linfoblástica aguda, em abril de 2018.

A leucemia linfoblástica aguda é a forma mais comum de leucemia diagnosticada em crianças; a doença representa cerca de 30% de todos os casos de cancro infantil.

Este tipo de leucemia afeta as formas imaturas dos glóbulos brancos, chamados linfócitos, que identificam e destroem proteínas estranhas no corpo. Em crianças diagnosticadas com leucemia linfoblástica aguda, a medula óssea produz muitos linfócitos imaturos que não amadurecem corretamente e que não têm a capacidade de combater a infeção.

Os sintomas podem-se apresentar na forma de anemia, hemorragias ou hematomas, dor nas articulações e ossos, febres ou infeções recorrentes, dor abdominal, entre outros; o tratamento pode consistir em quimioterapia, transfusão de sangue, antibióticos, radioterapia e transplante de medula.

A família Burge. – Fonte: DR

A jornada do pequeno Beckett teve início no dia 23 de abril de 2018, quando funcionárias da creche do menino ligaram à sua mãe para o ir buscar, uma vez que a criança apresentava sintomas febris.

Preocupada, Kaitlin levou o seu filho ao médico, que lhe diagnosticou uma infeção no ouvido e lhe prescreveu antibióticos; o pediatra alertou Kaitlin para que, caso os sintomas não melhorassem, a mãe voltasse ao hospital.

No dia a seguir, com a febre cada vez mais elevada, o menino foi transportado até ao hospital pediátrico mais próximo.

“Eu achava que me iam dizer que o meu filho tinha um tímpano perfurado, ou algo parecido… mas fiquei muito apreensiva quando uma enfermeira veio ter comigo, de telemóvel na mão, a dizer que o pediatra do Beckett queria falar comigo”, contou Kaitlin.

Os exames mostraram que o meu filho tinha uma pneumonia no pulmão esquerdo e níveis muito alterados de hemoglobina e de glóbulos brancos.

“O nosso médico, que eu adoro e a quem estarei eternamente agradecida, disse-me que o Beckett tinha leucemia. Não havia dúvidas. Eu nem sabia bem o que era leucemia, mas sabia que estava relacionado com cancro, e cancro nunca é algo bom”.

O menino foi transferido para um hospital em Dallas, uma vez que também sofria de insuficiência respiratória aguda. Após uma estadia inicial nos Cuidados Intensivos, Beckett foi transferido para a ala de oncologia pediátrica e, em setembro de 2018, a família recebeu um cronograma do tratamento, que está programado para terminar em agosto de 2021.

Beckett foi diagnosticado em abril de 2018. – Fonte: DR

Após quase um ano a seguir ao diagnóstico, Kaitlin partilhou fotografia, que acabou por se tornar viral, onde se vê Beckett a vomitar, apoiado pela sua irmã mais velha, Aubrey, de 5 anos, que esfrega delicadamente as suas costas.

“Com 4 anos, a Aubrey viu coisas que não conseguia entender. Viu o Beckett ser levado por uma ambulância, viu os médicos, com máscaras, a darem injeções cheias de medicamentos ao irmão, enquanto ele estava deitado, impotente. Ela não sabia o que estava a acontecer com o seu irmão, que é também o seu melhor amigo”.

“Pouco mais de um mês depois de o Beckett ter tido alta hospitalar, a Aubrey viu-o com dificuldades a andar. O irmão dela, um menino animado, enérgico e extrovertido, que ela tão bem conhecia, era agora um menino quieto, doente e com muito sono, que nunca queria brincar”.

“Tudo lhe fazia confusão. Ela não entendia como é que ele estava a ser tratado se cada vez ficava pior. Ela não percebia os efeitos das diferentes terapias a que ele foi sujeito. Não percebia porque é que ele já não queria brincar com ela, porque é que eles não podiam ir ao parque, como sempre fizeram. Porque é que ele não podia voltar à escola, mas ela tinha de ir, e deixá-lo sozinho, em casa, sem ela.”

I hate to be that person, but with childhood cancer awareness month 9 days away, it’s necessary. Under no circumstances…

Publicado por Beckett Strong em Sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Mas, se todo esse processo estava a ser tão doloroso para Aubrey, porque é que Kaitlin permitiu que a menina acompanhasse os tratamentos do irmão?

“As crianças precisam de apoio e de união, e não devem ser mantidas afastadas da pessoa que está doente”, explica a mãe.

“Hoje, eles estão mais próximos. A Aubrey não quer deixar o irmão, ela passa bastante tempo ao lado dele, a cuidar dele, a apoiá-lo. E isso, parecendo que não, é muito importante. Porque é isto que acontece quando alguém é diagnosticado com cancro infantil. Estas rotinas, estas dificuldades, esta é a realidade desta doença.”

Beckett e Audrey são os melhores amigos. – Fonte: DR

Depois de a foto de Beckett e de Aubrey se ter tornado viral, a preocupação e o apoio que a família recebeu foi de tal ordem, que Kaitlin partilhou uma foto atualizada de Beckett a preparar-se para o seu primeiro dia de escola.

Fonte: Fox News

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