Caly, o talento americano que sobreviveu a um cancro do ovário

Há cerca de 4 anos atrás, a vida de Caly Bevier mudou drasticamente quando, aos 15 anos, recebeu um diagnóstico de cancro do ovário.

Nessa altura, a menina de Ohio, nos Estados Unidos, que passava grande parte do seu tempo a jogar vólei e a ser líder da claque da escola, teve de partir para uma nova viagem: a da cura.

Enquanto fazia sessões de quimioterapia, a menina encontrou na música o seu grande refúgio; um dia, enquanto cantava a música “Fight Song” (“A canção da luta”, em português), de Rachel Platten, num evento escolar, o seu pai gravou-a e colocou o vídeo no Youtube.

A partir daí, a vida da adolescente mudou, tendo sido convidada para atuar no The Ellen DeGeneres Show e chegando, depois de uma brilhante audição, a finalista do America’s Got Talent.

Agora em remissão, Caly usa a sua voz para ajudar a consciencializar a população para a temática do cancro infantil.

“Independentemente do que aconteça comigo ou com a minha carreira, eu irei sempre lutar pelas pessoas que têm, ou tiveram, cancro”, disse a jovem.

Numa entrevista à publicação Refinery29, a jovem abriu o seu coração.

Tu sempre sentiste que irias ser cantora? 

Eu sempre amei cantar, mas a verdade é que na minha terra natal não existiam grandes oportunidades. Então, eu cantava, mas no meu quarto ou em festas de família, sem nunca pensar que, um dia, viria a ser conhecida. Lembro-me de haver pessoas a dizer que eu seria uma candidata perfeita para aqueles concursos de talentos, mas eu sempre pensei que aquilo não era para mim, sempre tive uma atitude muito negativa em relação ao que me rodeava, mesmo antes de ser diagnosticada com cancro.

E quando é que começaste a ter uma atitude mais positiva perante a vida?

Curiosamente depois de ter passado por todos os tratamentos de quimioterapia. Ter cancro mudou completamente a minha perspetiva sobre a vida. Eu tinha uma visão negativa, depressiva mesmo, sobre as coisas. Mas agora isso mudou, desde o cancro que isso mudou. Percebi que a vida dá reviravoltas, e com isso comecei a ver as coisas de forma positiva, mesmo quando a situação é má.

Tu foste diagnosticada com cancro do ovário quando tinhas 15 anos. Consegues explicar como é que te sentiste?

É engraçado, sem ter piada, mas a primeira vez que chorei foi quando vi o meu cabelo a cair, depois foi quando me apercebi que não podia fazer parte da claque e de todas as atividades físicas, que eu adorava. Por incrível que pareça, não chorei durante os tratamentos. Aliás, só pensava “Que seca, tenho que ir fazer quimioterapia”. Mas apercebi-me que isso era tudo psicológico. Precisei de algum tempo até pôr a minha cabeça em ordem, e só o consegui fazer graças aos meus amigos, à minha família e às pessoas da minha região. A positividade deles ajudou-me muito.

Lembras-te quando é que te apercebeste que algo não estava bem?

Sim, foi cerca de um ano e meio antes de ser diagnosticada. Eu fui diagnosticada em 2015, mas um ano e meio antes eu reparei que tinha um nódulo, mas ele era tão pequeno que eu não liguei importância. Só que ele foi ficando maior… e mesmo assim eu ia dizendo para mim mesma “Não é nada, deve ser da constipação ou do esforço que eu fiz”. Depois era a vontade de ir à casa de banho fazer xixi, ia constantemente. Mas mais uma vez arranjava desculpas. Pensava “Tens uma bexiga muito pequena Caly”. E foi assim até que o meu pai reparou no tamanho do nódulo, e disse “Vamos já ao médico!”.

E como foi todo o processo de tratamento?

O processo em si, para mim, não foi complicado. O difícil era ter energia. Isso foi muito difícil. Eu perdi imensas aulas porque não tinha folego para subir umas escadas, por exemplo. E depois comecei a ter vergonha de estar sempre tão cansada.

Lembras-te do que dizias para ti própria nessas alturas difíceis?

Claro. Só pensava “Tens de continuar a lutar e manter o positivismo”. As pessoas diziam-me “Sabes Caly, a negatividade alimenta a doença” e eu não queria alimentar a minha doença. Então, tentei sempre ser positiva e dizer a mim mesma que havia uma luz ao fundo do túnel. Eu sei que são frases e pensamentos clichês, mas foram essas coisas que me ajudaram a ultrapassar tudo isto.

O que gostarias que as pessoas soubessem sobre o cancro dos ovários?

Que tivessem mais consciência. Eu nunca na vida pensava ser possível uma miúda de 15 anos ter cancro, quanto mais cancro do ovário. Quando pensamos em cancro, pensamos em pessoas mais velhas. Mas a verdade é que o cancro não discrimina, ele simplesmente aparece.

E o que dirias às pessoas que te estão a ler e que têm cancro numa idade tão jovem, como tu tiveste?

Mantenham-se fortes e mantenham a fortes. É muito difícil, eu sei, mas temos que estar mentalmente fortes. Vão haver momentos em que achamos que está tudo a desmoronar à nossa volta, em que só nos queremos deitar e não fazer nada, mas isso não é solução. Até porque vão haver dias em que vamos acordar de manhã, a sentirmo-nos bem. E nesses dias temos que sair, ir para a rua e apreciar as coisas boas da vida.

Neste momento, e já em remissão, Caly está a percorrer os Estados Unidos a promover o seu novo single, “Head Held High” (“De cabeça erguida”, em português).

Fonte: Refinery29

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