Arte-terapia oferece conforto para crianças com cancro

A arte-terapia pode ser uma ferramenta muito importante no aumento da qualidade de vida de crianças com cancro, de acordo com os resultados de uma investigação publicada no Journal of Pediatric Hematology/Oncology Nursing.

O cancro pediátrico está entre as principais causas de morte por doença entre crianças nos Estados Unidos – estima-se que, em 2022, 10 470 crianças e adolescentes serão diagnosticados com a doença e que mais de mil morrerão este ano. As crianças com cancro vivenciam os sintomas da doença e os efeitos secundários do seu tratamento, o que pode levar à diminuição da qualidade de vida.

“Eu acredito que consigo fazer a diferença na vida destas crianças, de uma forma diferente. Elas estão muito cansadas ​​de tomar remédios para os seus sintomas”, disse a principal autora do estudo, Jennifer Raybin, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.

“É importante pensarmos na conexão mente-corpo e em qualquer tipo de terapias integrativas e complementares que possamos adicionar que possam ajudar estas crianças a processar os sintomas físicos e psicológicos.”

Jennifer e os seus colegas investigadores analisaram se a arte-terapia poderia melhorar a qualidade de vida de pacientes pediátricos com cancro, com idades entre os 3 e os 17 anos.

A prática de atividades criativas, mesmo sem acompanhamento profissional, pode ajudar as pessoas a lidar com os sintomas da doença e os efeitos secundários, para além de afetar positivamente o seu humor. Nesta investigação, as sessões de arte-terapia foram feitas sob a orientação de um terapeuta treinado que levou em consideração as necessidades de saúde mental da criança e sugeriu uma intervenção criativa personalizada.

Os investigadores recrutaram 98 crianças e adolescentes com cancro – a idade média dos participantes foi de 7,8 anos. As crianças e os seus pais completaram avaliações que mediram qualidade de vida, respostas emocionais e postura antes e depois da terapia.

O terapeuta personalizou as intervenções na tentativa de ajudar as crianças a canalizar as suas emoções.

Algumas crianças fizeram bonecas de pano, enquanto outras transformaram as máscaras que usavam durante as sessões de radioterapia em peças de arte. Houve ainda crianças que decidiram personalizar uma variedade de adereços significativos, incluindo para-quedas para apoiar a perda de movimento físico.

Um total de 83 crianças e adolescentes foram incluídos na análise final; destes, 18 não fizeram sessões de arte-terapia, 32 participaram em menos sessões e 33 participaram num número maior de sessões.

Os cientistas descobriram que as crianças, e os pais, que participaram nas sessões de terapia tiveram uma melhor qualidade de vida. A terapia também melhorou a postura das crianças. Com o tempo, os cientistas observaram que a postura mudou em resposta à mudança de humor e senso de identidade.

“Esta parte da postura está relacionada com outra área: a fisioterapia. Depois de algumas pesquisas, encontrámos uma medida de postura. No início, sou sincera, achei que este pormenor não era significativo. Mas os meus colegas insistiram e, então, fomos analisando a postura das crianças ao longo do tempo. E eis que percebemos que, efetivamente, a postura corporal também está relacionada com a qualidade de vida. Comparámos essa medida de postura e observámos que as crianças que estavam mais curvadas tinham uma pior qualidade de vida, para além de se sentirem mais tristes”.

Como a postura pareceu melhorar com a arte-terapia, os cientistas defendem que este pormenor pode ser um biomarcador quantificável para melhorar a qualidade de vida destes pequenos pacientes.

“Ainda assim, precisamos de realizar mais investigações, para que possamos estabelecer este detalhe como uma medida confiável”, disseram.

“Hoje em dia, curar a doença já não é suficiente. Precisamos de ir mais longe, de ajudar estas crianças após os tratamentos, porque as sequelas são enormes”, explicou Jennifer.

“A nossa investigação mostrou que a arte-terapia ajuda os pacientes a lidar com as questões físicas e psicológicas que envolvem doenças graves, ao mesmo tempo que proporciona um aspeto agradável ao tratamento que, de outra forma, seria difícil.”

Fonte: Cancer Health

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