Apesar das novas instalações, persistem os problemas na ala de pediatria do Hospital de São João

Ambulâncias de transporte degradadas, ares condicionados que não funcionam e televisões desligadas. De acordo com o Jornal de Notícias, é este o estado das novas instalações do Centro Ambulatório Pediátrico do Hospital de São João, no Porto, inauguradas em junho.

Mais, de acordo com porta-voz dos pais das crianças que ali fazem tratamentos, Jorge Pires, existem crianças que tomam banho com compressas, pois a unidade pediátrica de queimados funciona “num espaço sem banheira”.

Jorge Pires defendeu que estas novas instalações foram feitas “em cima do joelho. Os miúdos que vêm do isolamento são transportados para o edifício central numa ambulância com os vidros abertos”, e culpa a administração do hospital por “não zelar pelos interesses” da instituição.

“O internamento devia ser realojado no pavilhão K7, que vai ficar livre. A probabilidade de haver uma chatice é muito grande tendo em conta que o transporte não tem uma climatização decente e as crianças estão com as defesas em baixo”, disse.

Contatada pelo Jornal de Notícias, depois de o Ministério da Saúde ter remetido esclarecimentos para a Administração Regional de Saúde do Norte que, por sua vez remeteu esses mesmos esclarecimentos para o Hospital de São João, a instituição hospitalar revelou que ainda não existe qualquer informação sobre “a questão do desbloqueio das verbas para a construção da ala pediátrica”, um problema que tem vindo a ser adiado desde abril, altura em que foram tornadas públicas as queixas dos pais das crianças acerca das “condições miseráveis” a que os seus filhos eram sujeitos.

No mês passado, António Oliveira e Silva, presidente do Conselho de Administração da instituição, ameaçou demitir-se caso as verbas para a construção da nova ala não fossem desbloqueadas pelo Governo, admitindo que era “cada vez mais difícil gerir a situação”.

O prazo dado por António Oliveira e Silva terminou ontem e, até agora, a situação mantém-se inalterada.

Contudo, numa nota enviada à redação deste jornal diário, o Ministério das Finanças disse que o “o Governo está neste momento a analisar e a avaliar a informação de forma a adequar as atuais necessidades do Centro Hospitalar de São João à rede de prestação de serviços hospitalares da região”, acrescentado que “a decisão está a ser ponderada com base no estudo de reavaliação da rede hospitalar existente na zona metropolitana do Grande Porto na área pediátrica, que considere o aprofundamento de sinergias de hospitais da região”.

Jorge Pires voltou a deixar uma mensagem ao Governo, dizendo que a “associação está disponível para colaborar com a Administração do hospital e convida o primeiro-ministro e os ministros das Finanças e da Saúde para visitar connosco as instalações”.

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