Antioxidantes podem ser benéficos em crianças com leucemia

Segundo uma investigação realizada em crianças diagnosticadas com leucemia linfoblástica aguda, o consumo de antioxidantes através da ingestão alimentar correlaciona-se com taxas reduzidas de infeção ou mucosite, sem aumentar o risco de recidiva ou de redução da sobrevivência.

Publicados no Journal of Clinical Oncology, os resultados sugerem que o aconselhamento dietético e uma dieta equilibrada que inclua antioxidantes de uma variedade de fontes alimentares podem ajudar a proteger as crianças durante o tratamento para a leucemia linfoblástica aguda.

No entanto, os cientistas não encontraram qualquer benefício adicional com a suplementação com antioxidantes, para além do obtido através da ingestão alimentar.

“Este foi o primeiro estudo a sugerir que uma dieta de alta qualidade durante o tratamento oncológico pode ser benéfica para reduzir as toxicidades mais comuns”, explicaram os investigadores de Roswell Park, nos Estados Unidos.

Para os cientistas, a pesquisa confirma aquilo que há muito suspeitavam: que os benefícios não podem ser obtidos quando os antioxidantes são tomados apenas na forma de suplemento, uma vez que existem componentes protetores nos alimentos que as pessoas não recebem quando apenas tomam suplementos.

No estudo participaram 794 crianças com leucemia linfoblástica aguda; enquanto faziam tratamento os cientistas avaliaram de forma prospetiva a sua ingestão alimentar através de um questionário.

No final do estudo, os cientistas avaliaram a possível associação entre a ingestão de antioxidantes na dieta e a toxicidade dos tratamentos e a sobrevida.

Segundo estas descobertas, o aumento de ingestão de betacaroteno, carotenoides, vitamina A e alfa-caroteno reduziu o risco de infeção, enquanto o aumento do consumo de vitamina A, E, zinco e carotenoides reduziu o risco de desenvolver mucosite.

“O aumento da ingestão de antioxidantes por meio de suplementação, dentro dos intervalos de dose relatados, não teve efeito sobre as infeções ou mucosites, quando comparado com a ingestão de antioxidantes somente de fontes alimentares. Isto realça o potencial benefício de uma dieta saudável durante o tratamento para a leucemia linfoblástica aguda”.

De acordo com os cientistas, a maioria das crianças estudadas estava abaixo das recomendações alimentares mínimas (para género e idade) em vários nutrientes; por isso, para a maioria dos nutrientes explorados a equipa não pôde avaliar o efeito da ingestão muito baixa ou muito alta sobre as toxicidades. Além disso, a avaliação da mucosite foi limitada às crianças com mucosite de grau ≥3, ou seja, não foram investigados graus mais baixos de mucosite que podem igualmente ter afetado a qualidade de vida e o estado nutricional.

Atualmente os investigadores estão a preparar ensaios clínicos que lhes permitam explorar os mecanismos subjacentes pelos quais a ingestão alimentar possa beneficiar os resultados biológicos e as toxicidades relacionadas com o tratamento em casos de leucemia linfoblástica aguda na população pediátrica.

Fonte: Cancer Network

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