“Investimento na oncologia pediátrica é completamente incipiente”

A propósito do 25º aniversário da Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro – Margarida Cruz, a diretora geral da instituição, falou do estado atual da investigação em oncologia pediátrica.

“Nos últimos 25 anos, houve apenas quatros medicamentos que foram estudados e desenvolvidos para a oncologia pediátrica, enquanto que, para toda a outra oncologia, as novidades são mais que muitas”, disse Margarida Cruz à agência Lusa.

“Há muitas situações em que medicamentos para adultos são ajustados na sua dosagem para as crianças e não resolvem de uma forma eficaz o seu problema ou então têm um potencial de lhes deixar sequelas enquanto sobreviventes, que poderiam ser evitadas se as coisas fossem desenvolvidas de outra forma”.

“O investimento na oncologia pediátrica é completamente incipiente”, afirma a diretora geral da Acreditar.

O “fato de serem números pequenos” ajuda a esta realidade, que não é apenas portuguesa, “é uma realidade do mundo ocidental”.

“Em Portugal temos cerca de 400 novos casos por ano e, quando os nossos números estão em linha com a Europa, significa que estamos sempre a falar de números pouco expressivos para a investigação, esquecendo as pessoas, as entidades e sobretudo quem tem a responsabilidade de incentivar estas questões”.

Uma das missões da Acreditar, juntamente com outras organizações nacionais e internacionais, é a de exercer pressão, junto das autoridades competentes, para que “exista mais investigação e para que os medicamentos sejam de raiz desenvolvidos para a oncologia pediátrica”.

“Apesar de estarmos a falar de números pequenos do ponto de vista da doença, estamos a falar de números altos do ponto de vista dos mortos. É lamentável falar assim, mas a morte por cancro pediátrico é a segunda causa de morte pediátrica em toda a Europa e em Portugal também”.

Se, por um lado, há cada vez mais sobreviventes, por outro, Margarida Cruz faz questão de referir que “os problemas também vão sendo cada mais desafiantes”.

A diretora geral da Acreditar dá o exemplo das dificuldades que muitos jovens sobreviventes têm em comprar casa, devido ao seu histórico de doença oncológica.

“Uma criança teve um cancro aos 4 anos, por hipótese, e aos 30 não consegue comprar uma casa quando está dada como clinicamente curada”, exemplifica.

Fonte: Notícias ao Minuto

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