A terapia de protões e o avanço no tratamento de tumores cerebrais pediátricos

Se tudo correr como previsto, a cidade de Adelaide, na Austrália, será a primeira no país a inaugurar um Centro de Terapia de Protões em 2025. Esta abertura irá beneficiar principalmente crianças e adultos jovens que poderão receber um tratamento oncológico mais eficaz e com menos efeitos secundários.

Mas quão segura é a terapia de protões para crianças com cancro cerebral, em comparação com a radioterapia convencional fornecida após a cirurgia?

Um novo estudo realizado pela Universidade do Sul da Austrália irá explorar esta questão nos próximos 2 anos, através de dados fornecidos pelo do St. Jude Children’s Research Hospital, nos Estados Unidos, que irão modelar resultados de pacientes com base em cancros individuais, radiossensibilidade, sexo e idade das crianças.

Recentemente, os investigadores receberam 100 mil dólares (cerca de 84 mil euros) de forma a darem início a este projeto, que avaliará o risco de transtornos de desenvolvimento em crianças conforme resultado do uso de feixes de protões para tratar tumores cerebrais pediátricos.

Em comparação com a radioterapia convencional, que utiliza fotões, a terapia com feixe de protões tem como alvo superior os tumores e células cancerígenas, fornecendo doses otimizadas de radiação ao tumor e limitando os efeitos nos tecidos saudáveis ​​ao redor.

“Isto é particularmente importante no tratamento de tumores cerebrais em crianças, porque os seus cérebros estão num estágio sensível e altamente suscetível do desenvolvimento”, disseram os cientistas.

Os protões são projetados para fornecer radiação apenas ao alvo específico, poupando os tecidos saudáveis ​​antes e além do alvo, bem como as estruturas críticas ao redor do tumor.

“Sabemos que a terapia de protões tem menos efeitos secundários no desenvolvimento de crianças com tumores cerebrais, mas precisamos de saber mais. Precisamos de descobrir de que forma a idade, o sexo e a sensibilidade do indivíduo à radiação também atenuam ou aumentam o risco”.

Pensa-se que mulheres e pacientes mais jovens são mais sensíveis à radioterapia, mas a pesquisa existente é baseada em dados de adultos e são considerados desatualizados.

“As técnicas usadas na radioterapia – tanto a terapia com feixe de protões quanto a terapia com feixe de fotões- percorreram um longo caminho desde então e precisamos de desenvolver um novo modelo para prever o risco de cancro secundário e outras complicações em crianças.”

A parceria com o St Jude Children’s Research Hospital irá permitir aos cientistas australianos construir um modelo matemático para prever os resultados dos pacientes.

Os tumores cerebrais representam 20% de todos os cancros pediátricos e são responsáveis ​​pelo maior número de mortes por cancro infantil na Austrália, cerca de 39% de todas as mortes; crianças diagnosticadas com este tipo de cancro são, geralmente, tratadas com uma combinação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia, sendo que todas estas terapias estão associadas a uma série de riscos; a radioterapia, por exemplo, é responsável por uma alta gama de efeitos negativos, sejam eles neurológicos, endócrinos ou cognitivos, em crianças.

“Até onde sabemos, a terapia de protões tem efeitos secundários menos graves e resultados de sobrevivência semelhantes às terapias convencionais”, disseram os cientistas que, ainda assim, afirmam existir “uma grande lacuna no nosso conhecimento”.

“São precisos vários anos para observar os efeitos secundários físicos decorrentes dos tratamentos, por isso decidimos recorrer à modelagem computacional, de maneira a estimarmos os riscos para os pacientes de uma forma mais célere”.

O número de Centros de Terapia de Protões está a aumentar um pouco por todo o mundo; atualmente, existem mais de 89 instalações, localizadas principalmente nos Estados Unidos, mas também na Europa e na Ásia.

O futuro Australian Bragg Centre for Proton Therapy and Research será o primeiro a existir na Austrália; especialistas estimam que, por ano, o centro venha a tratar até 700 pacientes por ano. Cerca de metade desses pacientes serão crianças e jovens adultos.

Recentemente, num artigo publicado na revista Cancers, investigadores compararam as mais recentes técnicas de distribuição de radiação de protões e fotões em pacientes pediátricos distribuídos por 3 faixas etárias.

A terapia de protões reduziu a irradiação em todos os casos em comparação com a terapia de fotões, também intitulada como radioterapia convencional.

Fonte: Eurekalert

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