A importância da desmistificação do cancro infantil

Um novo estudo realizado por investigadores da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, analisou uma área que tem sido pouco estudada: as crenças comunitárias sobre o que causa o cancro em crianças.

A maioria dos membros da comunidade que não foram afetados pelo cancro infantil acreditam erroneamente que a doença é causada por fatores genéticos ou ambientais, em vez de simplesmente “má sorte”, mostrou o estudo.

Publicada na revista Acta Oncologica, a investigação explorou os pontos de vista dos sobreviventes, dos seus pais e da comunidade sobre as atribuições causais.

Estas descobertas serão cruciais para abordar equívocos, oferecer acesso a serviços e adaptar comportamentos de saúde, atuais e futuros.

“Muitos cancros em adultos são causados pelo estilo de vida, genética, envelhecimento e meio ambiente. Em contraste, ainda não está claro o que causa o cancro infantil, e a visão da comunidade sobre essas mesmas causas também é uma área pouco estudada”, disseram os cientistas.

“Poucos cancros infantis são atribuídos a fatores genéticos ou ambientais, mas quando as crianças são diagnosticadas com cancro, as famílias perguntam-se muitas vezes se havia algo que poderiam ter feito diferente durante a gravidez ou durante a primeira infância, e às vezes até desenvolvem as suas próprias crenças – não baseadas em evidências cientificas – que são, na sua maioria, inúteis e despropositadas”.

É importante entender as atribuições relacionadas à doença de pacientes e membros saudáveis da comunidade, pois as suas opiniões podem influenciar os resultados de saúde, levando a diferentes comportamentos de saúde.

“Cerca de uma em cada cinco famílias acreditava que os fatores ambientais e a genética desempenhavam um papel no desenvolvimento do cancro infantil, o que são dados impressionantes”.

Neste estudo, a equipa investigou as crenças de mais de 600 participantes – pais e sobreviventes de cancro infantil – sobre as causas da doença; essas crenças foram comparadas às crenças de 510 membros da população em geral.

“Descobrimos que mais de sete entre 10 pais de sobreviventes de cancro infantil acreditavam que o acaso ou a má sorte tinham causado o cancro aos seus filhos; com isso, concluímos que a maioria dos pais e dos sobreviventes entendiam que não havia nada que eles pudessem ter feito para prevenir o cancro”, relataram os cientistas, que afirmaram que a ajuda dos profissionais de saúde tem sido fundamental para esta visão.

“No entanto, de forma um tanto preocupante, cerca de uma em cada cinco famílias acreditava que os fatores ambientais e a genética desempenhavam um papel, apesar das evidências científicas apontarem para o contrário”.

Entre a comunidade mais ampla, as crenças sobre as causas do cancro infantil eram muito diferentes.

“Os membros da comunidade geral, isto é, que não tinham contato com crianças com cancro, acreditam que a genética (75,3%) e os fatores ambientais (65,3%) desempenham um papel importante no desenvolvimento do cancro infantil”, lê-se no estudo.

“Este tipo de visão pode levar ao estigma, então é muito importante que aumentemos o conhecimento da comunidade sobre as causas do cancro infantil em geral”, concluíram os investigadores.

Fonte: Newsroom

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