A “emocionante descoberta” que pode vir a melhorar o prognóstico de crianças com cancro

De acordo com uma nova investigação, não demorará muito tempo até que os médicos sejam capazes de prever quais as crianças diagnosticadas com cancro cerebral que estão em maior risco de recidiva após o tratamento.

No que foi descrita como “uma emocionante descoberta”, cientistas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, afirmaram que a sua investigação permitirá que médicos personalizem o tratamento para cada criança individualmente de forma a melhorar o prognóstico do meduloblastoma, através da análise da biologia da doença.

O meduloblastoma é um tumor cerebral maligno diagnosticado em crianças; por ano, só no Reino Unido, cerca de 70 crianças são diagnosticadas com a doença.

Após o tratamento inicial – que inclui cirurgia, radioterapia e quimioterapia – a recidiva ocorre em cerca de 30% das crianças e geralmente tem um prognóstico grave.

Segundo os investigadores, estas descobertas, publicadas na revista The Lancet Child & Adolescent Health, podem vir a melhorar os resultados clínicos de pacientes que tiveram uma recidiva, fornecendo a capacidade de ajustar o tratamento, monitorizar a doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Steve Clifford, diretor do Centre for Cancer da Universidade de Newcastle, acredita que estas descobertas podem ser aplicadas “de uma forma quase imediata na prática clínica”.

“A nossa pesquisa representa um desenvolvimento muito estimulante para o tratamento de pacientes com meduloblastoma e ajudará a melhorar os resultados clínicos”.

Para o cientista, os resultados deste estudo “permitem realizar uma vigilância direcionada da doença pela biologia após o tratamento inicial”; por outras palavras, poderá ser possível “reunir e analisar uma grande quantidade de dados sobre os tumores dos pacientes, procurando por tipos específicos de recidiva em grupos específicos de pacientes”.

A investigação revelou que alguns grupos biológicos de pacientes têm uma recidiva mais tardia e, portanto, “precisam de ser monitorizados durante mais tempo”.

“As nossas descobertas também significam que agora podemos prever o curso da doença após uma recidiva e tratamentos personalizados, o que nos permitirá melhorar a forma como tratamos esses pacientes por meio de abordagens mais personalizadas com base na compreensão da sua doença individual.”

Os investigadores monitorizaram 247 pacientes jovens com meduloblastoma que sofreram uma recidiva.

Steve Clifford explicou que, como parte das próximas etapas, mais pesquisas são necessárias para compreender os mecanismos biológicos do meduloblastoma e investigar se este tipo de cancro “dá origem a oportunidades para desenvolver novas terapias mais eficazes para a doença”.

Fonte: Evening Express

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