A alegria de vencer o cancro

Oli Novak nunca teve sintomas de qualquer doença.

O jovem de 11 anos estava feliz, saudável e ativo quando os seus pais, Courtney e Adam, notaram a existência de um pequeno caroço na sua perna direita.

Alarmado, o casal levou de imediato Oli ao hospital onde, após alguns exames, os médicos deram a notícia que nenhum pai quer ouvir: Oli tinha um linfoma de Hodgkin.

“Ouvir aquilo foi tão doloroso”, recorda Courtney. “Eu fiquei em choque, apavorada”.

“No meio de todo aquele turbilhão, os médicos disseram algo que nos deu esperança: o tratamento para aquele tipo de cancro tinha uma taxa de sucesso de 90%. A partir daí passámos a lutar, não pelos 90%, mas pelos 100%”.

O casal passou alguns dias a “tentar entender que raio de doença era aquela”, antes de contar a Oli e aos seus irmãos mais novos, Charlie e Francesca.

“A primeira coisa que o Oli me perguntou foi se ia morrer. Fiquei sem pinga de sangue. Abracei-o e disse-lhe que isso não ia acontecer, que ele não ia morrer”, conta Courtney.

Oli descobriu há duas semanas que tinha conseguido vencer o cancro.

Mas o caminho até à cura foi longo…

Oli e a sua mãe, Courtney. – Fonte: Jonathan Carroll

“Quando os meus pais me contaram que eu tinha cancro, fiquei muito preocupado. Pensei logo nos meus amigos, no que lhes ia dizer e como eles iam reagir. Pensei na minha vida, no que me ia acontecer, em como ia vencer aquele cancro. Foi muito, muito assustador”, revela o sobrevivente.

“Mas tive muita sorte. Primeiro contei só aos meus melhores amigos, que reagiram bem. Ficaram tristes, claro, mas deram-me todo o apoio do mundo”.

Após 3 ciclos de quimioterapia, o cabelo de Oli começou a cair.

Foi nessa altura que o jovem decidiu rapar o cabelo e, a partir daí, toda a gente ficou a saber da sua luta.

“Quando eu decidi rapar o cabelo, os meus pais chamaram os nossos amigos e, todos juntos, rapámos o cabelo. Foi muito emocionante.”

“Houve muitas pessoas a chorar. Foi uma loucura. Senti-me tão apoiado. Foi bom não ser o único careca”, conta o jovem, entre sorrisos.

Para tentar desmistificar “o cancro”, a escola que Oli frequenta organizou uma iniciativa que contou com marionetas.

Conhecido como o Programa de Educação da Escola Primária Kylie, este projeto foi criado há quase 30 anos, e serve para ajudar as crianças a entenderem melhor o que é o cancro.

“O nosso projeto percorre várias escolas um pouco por toda a Austrália. Quisemos fazer um espetáculo divertido, interativo e empolgante que dissipasse os mitos do cancro e criasse uma comunidade inclusiva para crianças que foram diagnosticadas com a doença”, disse uma das organizadoras.

“Este projeto, muito graças às marionetas, dá às crianças a possibilidade de falarem de um tema que, ainda hoje, é tabu. Há muitas crianças que não sabem o que é o cancro ou que acham que é uma doença contagiosa. Aprendi isso com o Oli”, disse a mãe do sobrevivente.

O projeto com marionetas procura desmistificar “o cancro”. – Fonte: Marina Neil

“Se as crianças tiverem mais conhecimento e informação, talvez o cancro deixe de ser algo tão aterrador”.

Courtney acredita que esta experiência a ajudou a ver a “beleza das pessoas”.

“A bondade e generosidade que nós recebemos foi incrível. Tivemos total apoio dos nossos familiares, amigos, da escola do Oli, dos médicos… meu Deus, a equipa médica foi absolutamente fenomenal”.

Hoje, Oli é um sobrevivente.

“Quando descobri que o Oli estava livre de cancro, senti-me aliviada. Ao longo do tratamento do meu filho, vi muitas crianças a sofrer… muitas delas não resistiram. Foi graças a elas que eu percebi o quão sortudos somos por o Oli estar novamente saudável. Foi a melhor coisa que já nos aconteceu”.

“O meu filho foi muito corajoso durante todo este processo. Houve momentos menos bons, mas ele foi um ser humano espetacular. Às vezes, ficava mais preocupado com as pessoas que o rodeavam do que com ele próprio”.

“Estou muito feliz, mesmo muito. Finalmente esta luta acabou. Já posso voltar a ser uma criança normal”, exclamou o jovem!

Oli está livre de cancro. – Fonte: Jonathan Carroll

Fonte: The Herald

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